quinta-feira, 18 de abril de 2013

Aceitação ainda!

Eu sou acelerada. Muito. Eu até como as palavras que as dita são lentas demais a formarem-se e a sairem-me da boca. Quando o fazem, já a minha mente supersónica está três pensamentos lá à frente e por vezes o que sai é uma bela sopa de ideias... :) Acho que cada um tem um determinado padrão energético ou bioritmo ou a patacoada que lhe queiram chamar e que determina a nossa personalidade. Há aqueles muito zen, há os calmos, os serenos, os enérgicos, os acelerados... uma miríade à escolha, estou certa :) Aqui também só a determinação pessoal nos pode levar a aceitar e compreender que cada um é diferente e que não existem modelos perfeitos nem paradigmas. Eu própria padeci desse mal durante muito tempo; qual? Ora essa, o de me considerar inferior,imperfeita e muitos degraus abaixo daqueles outros iluminados ou espíritos tão avançados que serenamente e com aquele ar de quem já tanto viveu e tanto aprendeu que concluiu que todos os demais são inferiores exemplares do materialismo perto dessas verdadeiras fontes de iluminação. Mas, sobretudo, o que eu mais invejava era a capacidade de acalmar as própria emoções e assim aparentar uma serenidade e uma certeza perante qualquer vicissitude só digna de um Dalai Lama ou um Cristo... (e não comecem já para aí a sonhar com o Diogo Morgado, ok?) Isto associava eu, naturalmente, e na minha ignóbil ignorância a quê? Perguntareis vós, meus poucos (mas bons!) leitores desta escrita errática e irregular (isto se não tiverem já desistido,pois o meu cérebro ou a minha mente ou um qualquer dos meus corpos espirituais está hoje completamente à solta a fazer o que lhe dá na real gana e eu já não posso garantir nem a coerência nem a continuidade deste discurso/monólogo)perguntareis pois a que associava eu essa fonte de serenidade? Pois vos direi: além da natural elevação espiritual de tais sortudos - aí se incluindo as muitas vidas anteriores de sacrifícios e aprendizagem - a uma grande disciplina espiritual e emocional, naturalmente conseguidas e suportadas em práticas constantes, reiteradas, devotadissimas (ah finalmente cheguei onde queria desde o início, ao busílis da questão, já vão entender!)de coisas como MEDITAÇÂO, IOGA e outras práticas ascéticas e espirituais, das muitas disponíveis, até comer flores como a Zélia :) Pumba!!! Ai o que eu invejava aquelas contorções, posições, transes e inspirações, visões e... entenderam??? Claro que como sou uma mulher sempre cheia de sede de saber, aprender e experimentar, tentei tudo. De tais experiências relatarei algumas peripécias noutro post, a ver se não vos afugento de vez! Para o que interessa e quero partilhar convosco por hoje, - se ainda me lembrar do que era... - basta reter isto: a sociedade também nos tenta impor o conceito de que as práticas de ioga e meditação são um paradigma dos mais evoluídos. Epa não discutam nem me contrariem tá bem?? Façam lá o favor agora de ler sem rabujar. Eu não nego o bem estar e os benefícios de tais práticas. Acho admiráveis. O que eu quero é que deixem de me considerar uma atrasadinha só porque não se adaptam a mim ou porque a respectiva prática não me faz sentir bem. Ah pois. Voltamos a um dos meus temas preferidos - a aceitação. Temos simplesmente de aceitar que somos diferentes e temos diferentes propósitos na vida; nesta, pelo menos. E, assim,como uns gostam de exercício, outros não, uns gostam de ioga, outros gostam de combat. Percebido? Deixei de me sentir pressionada e de ter de mostrar ou provar um qualquer percurso. Cada um tem o seu. E isto de se contorcer e aguentar poses anti naturais de forma estóica e desconfortável , respirando cadenciadamente não é para qualquer um! Por isso permito-me dizer alto e bom som: eu gosto é de dar murros, saltos, de correr e gritar, de preferência acompanhada por uns quantos doidos como eu. Tudo isto porque, finalmente, percebi e conclui que cada um, aceitando o seu tipo específico de energia, e essa sua frequência específica, deve aceitar-se como é e não mudar ou esforçar-se para parecer o que os outros à sua volta esperam ou desejam que seja. Deixei pois de ter complexos por ser acelerada, desastrada, por comer palavras, rir alto, sorrir a todos à minha volta, falar numa torrente para apanhar todas as ideias que me inspiram, de fazer tudo o que faço a 100% de energia... deixei de me sentir culpada por não ser capaz de frequentar essas sessões excruciantes de ioga, balance e quejandas, de tentar continuar a não adormecer nas sessões de meditação, deixei de ter problemas em dizer que gosto genuinamente de ser como sou, extrovertida, excessiva, falando alto, fazendo notar a minha presença do que ser infinitamente serena, calma, quase invisível, zen... zzzzzzzzzzzzzzzzzz E vocês também não iam gostar de mim como gostam se eu não fosse assim, pois não? :) Isto não quer dizer que eu seja menos espiritual que outros, ou sequer que haja lugar a comparações; quer apenas dizer que são diferentes as formas de sentir e experimentar, de colher a vida e de dar. Isso também quer dizer que, ao invés de me tentar adaptar aos métodos dos outros, tenho de procurar os meus métodos, aqueles que serão os certos para mim... de acordo com a minha velocidade de estar. E continuo a gostar de todos estes outros seres humanas fabulásticos que me acompanham e que olham para mim com um sorriso e uns olhos meigos, cheios de ternura com a cabeça meio pendida para um lado e me dizem: «calma» sempre sorrindo... Aceitem-me pois, simplesmente assim. Prometo que vos aceito também, integralmente!

Corpo (im)perfeito

Levei quase uma vida inteira - pelo menos a que vivi até agora - para finalmente começar a aceitar o meu corpo como ele é. Também, verdade seja dita, nunca tive muito por onde me queixar. Nem problemas de peso nem zonas desproporcionadas, enfim, no global o boneco apresentava-se agradável à vista. Mas, claro, inseguranças sempre as houve. E, naturalmene que, após quatro filhos e meio, e ultrapassada com alguma surpresa a casa dos 50, constatei a instalação involuntária de uns quilitos a mais; e de umas zonas menos rijas, mais amplas... o alarme tocou e a frequência do ginásio passou a ser (ainda) mais obrigatória, bem como a busca de cremes e tratamentos que consigam amenizar tais características indesejadas. Gosto sinceramente de actividade física e não preciso de me esforçar ou obrigar a praticá-la. Mas o meu corpo não se esculpiu milagrosamente no de uma atleta ou praticante profissional! :) Claro que se veem melhorias, diferenças, mas subtis e lentas... e a dada altura dei por mim a constatar que afinal não me interessa e nunca foi meu objectivo obter um corpo inalcançável, daqueles que até atleta precisa retocar com photoshop! É maravilhoso apreciar as diferenças fundamentais e infinitas dos corpos humanos, e sentir que cada um é perfeito para cada qual. Na verdade, compreendi que até a prática do exercício físico deve ser feita de acordo com esse pressuposto: a aceitação do meu corpo como ele é.Eu passei a aceitar o meu corpo, pois aquela barriguinha que ainda me atormenta é testemunho de quatro gravidezes maravilhosas, e de tudo o mais que como mulher me determinou e me fez quem sou hoje. Esses motivos de orgulho, o tempo que por mim passou estão escritos no meu rosto, nas minhas mãos (ai, só tirava esses eczemas malvados... :))nas veias nas minhas pernas, nas rugas no canto dos olhos, e eu não queria que não fosse assim! Parecer ter outra vez menos de 30 anos, ou usar uma face sem expressão, com lábios e bochechas desenhados a botox ou outro elemento não naturalmente produzido pelo meu corpo seria negar a mim mesma, afirmar uma total insegurança e aceitação da vida. Não quero com isso dizer que não nos tratemos, não nos cuidemos! Cuidar, tratar, exercitar, faz parte de ser saudável, pois só assim teremos qualidade e prazer de vida! O que eu não preciso mais é de me sentir mal na minha pele ou viver obcecada em tentar atingir modelos ou transformações excessivas que não são reais nem sequer desejáveis para o tipo de corpo ou de vida de cada um! Por isso já não me sinto incomodada de mostrar a barriga na praia ou culpada ao me comparar com aquelas proprietárias de corpos musculados e desprovidos de umas gordurinhas bem dispostas... é tudo uma questão de relatividade, bom senso e sobretudo...opções. Sem excessos. Sem protagonismos. Estou a começar a aceitar-me. Com defeitos. Imperfeições. E procurando todos os dias tornar-me uma pessoa melhor. Pelos outros e para tornar este mundo umpouco menos agreste para os que se cruzam no meu caminho. Isso sim, que é VIDA!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O grande C

Estava eu a acabar de me empanturrar com uns quantos hidratos de carbono - ao estilo vale tudo, misturemos arroz com batata e pão encharcado no molho rico e espesso!- ou não fosse sábado calmo e ensolarado com tempo para preguiça e vontade de compensar o estoicismo semanal, quando na tv da cozinha, sintonizada na Sic mulher para companhia leve de fundo, que nem padrão do ambiente de trabalho, estreia o 1º episódio da 1ª temporada de uma série que me tem feito refletir, e, mesmo discordando de algumas das opções da protagonista ou da história, me tem feito sentir mais e melhor algumas destas curiosidades da vida: The Big C.
A quem não conheça ou não tenha visto, recomendo que o façam. Confiram a grelha do canal e gravem ou vejam sim. Esclareço que o nome da série vem do facto de a protagonista ter acabado de ser diagnosticada com cancro - melanoma - avançado e parte daí para a acompanhar nesse percurso, nessa descoberta de si mesma, da família e dos relacionamentos com os outros. Sem lamechices, sem estereótipos, com uma visão assombrosa e descarada, com fiascos e erros absolutamente humanos, com desejos e desafios. A não perder, absolutamente!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Faturação obrigatória e advocacia

Já nem sei se ando desanimada, revoltada, cansada, exasperada… sei que cada vez me revejo menos nos caminhos da advocacia e da Ordem, que não me identifico com estas constantes internas lutas pelo «poder» e quejandices, que desespero no dia a dia para tentar atender às necessidades e solicitações diárias dos clientes e do sistema judiciário… E que me preocupa MUITO o atual rumo das coisas! Nomeadamente, preocupa-me a actual legislação conformadora, excessiva, kafkiana, injusta e, no meu entender, desproporcional que a AT tão zelosamente nos relembra e impõe, e perante a qual os nossos representantes e órgãos nada mais fazem senão enviar regras e quadros sínteses relativos ao bom «cumprimento» desta vergonhosa palhaçada, além de promoverem fabulásticas conferências de formação. Passo, agora, com vossa licença, a explicar: E, enquadrando, frequentei uma destas conferências na passada quarta feira; anteontem, portanto, está tudo muito fresquinho na minha alma! Ora, no c aso por mim assistido, os senhores inspectores que procederam à dita mostraram tal arrogância, superioridade e mesmo algum desprezo pelos presentes, respondendo de forma condescente, patronizadora e visivelmente agastados pelas dúvidas dos presentes – enfim, essa escumalha de advogados que só querem é procurar formas de escapar ao controlo da AT! – que a todos nos deixou com o estômago às voltas… E, como referia uma colega nossa, de comarca vizinha à minha, «digam-nos onde está a bandeja com as pistolas para que nos possamos suicidar desde já!» [sic Paulinha...:)) Encerrando o enquadramento, passo agora a expor a minha preocupação maior, e que saiu reforçada da tal conferência: PORQUE RAIO NÃO ESTÁ A MINHA ORDEM A TRABALHAR DE FORMA CORPORATIVA, COMO VERDADEIRO LOBBY SE NECESSÁRIO, A LUTAR PARA RETIRAR OS ADVOGADOS DA APLICAÇÃO DESTA ABERRAÇÃO QUE Á A FATURAÇÃO OBRIGATÓRIA!!! Porque raio não é criado um regime de excepção para a nossa profissão, atentas as suas especificidades, com a obrigatoriedade de passagem de recibo – electrónico ou não, tanto faz (permitam-me salientar que a questão não é a de lançamento ou processamento eletrónico das faturas/recibos, mas sim a de faturação obrigatória de todos os movimentos e recebimentos dos clientes, bem como a respetiva comunicação à AT) – nos termos em que já o era anteriormente, sendo-nos permitido continuar a elaborar notas de honorários sem programas de faturação contabilística, certificados ou não, e sem essa absurda obrigação de comunicar até dia 25 do mês seguinte todas as ditas faturas emitidas!!! Não se deixem enganar, o que está em causa é esta obrigatoriedade, é o facto de a nossa actividade ser agora formalmente igualzinha à de um comerciante ou empresa para a AT! Não me repugna nada a utilização de meios eletrónicos e acho que a passagem dos recibos eletrónicos pelo Portal até é benéfica, facilita o cumprimento das obrigações fiscais, nomeadamente da declaração dos recibos e rendimentos. O que não me permito é ser considerada uma comerciante a passar faturas! Não admito que me obriguem a passar «faturas» dos serviços prestados no âmbito do AJ e pagar o respetivo e hipotético IVA quando lanço no sistema os dados dos processos sem receber tusto do estado, esse vil e abjecto organismo que me cobra assim ¼ ou mais dos meus suados frutos do trabalho à cabeça!Por exemplo! Mais vale fechar a barraca e pedir o rendimento mínimo! Quero que a minha Ordem me represente e actue! Quero atuar e ajudar. Quero que se reflicta sobre isto! Mas pronto, lá estou eu…

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O sistema reprodutivo...

A Vitória hoje aprendeu sobre o sistema reprodutivo (ou reprodutor...) lá na escola. Orgulhosa, partilha comigo este novo saber mal senta no carro e nos metemos à estrada. Manifesta curiosidade perante a pequenez do bebé no seu início, «mais pequeno que uma uva», e algum nojo pela compreensão do interior do corpo humano :) tenta ainda perceber cabalmente aquela história de apenas um «coiso» chegar lá... parece ter entendido que sim, essa será a regra mas que, excecionalmente, pode dar-se mais do que uma fecundação, originando gémeos... ao fim de algum tempo conclui: «Oh mãe, mas tu tiveste muitos!» Hmmm... pois... sim, enfim, quatro e meio, como costumo dizer, não serão poucos, pelo menos pelos padrões atuais... :)
Fica-me a dúvida se a frase incluiria respeito, admiração, incredulidade... perante a actual percepção de como nascem os bebés... ou talvez apenas se trate de uma mera constatação de factos puramente! Deve ser! Pois!

domingo, 27 de janeiro de 2013

agosto no algarve

Ainda não consegui perceber se é fogo de vista, petulância mesmo ou sinceridade. Aquela história que tanto algarvio gosta de propagandear segundo a qual em agosto isto é um caos, insuportavelmente cheio de gente e, como tal, reformulando sólida tradição, orgulhosamente «fogem» em tal fatídico mês!
Quem os ouve fica com a nítida impressão que todo o algarvio que se preze passa o verão na neve ou no campo, enfim, num qualquer ponto que não no tradicional destino preferido de férias de verão dos nacionais: a praia!
Antes de mais, permitam-me: eu adoro a praia no verão! Todo o ano adoro esta sensação do mar aqui ao lado, o privilégio desta cor deste céu desta luz todo o ano! E não vivo cá pela porra da qualidade de vida, o sossego e o tanas... Vivo cá por escolha, por amor puro, pelas características únicas desta terra. O mar e a praia fazem-me mais falta que mil campos verdejantes, montanhas e interiores; e no verão há como resistir ao que este de melhor tem, que é a praia? Não. Assim, escolhi viver todo o ano no local para onde sempre quereria passar férias de verão.
Por isso, não saio daqui em agosto, bem pelo contrário! E sim, tenho férias sempre em agosto!!! Que sentido teria trocar um destino maravilhoso de verão para ir pagar por outro destino balnear? Assim, algarvia de coração me confesso: adoro o verão no algarve, adoro este mar de gente que aqui vem partilhar comigo a felicidade, o prazer e a alegria que a minha terra lhes proporciona, sou sortuda por dela desfrutar todo o ano, não arredo pé nem abro mão do verão por cá, e venha agosto depressa que estou cheia de saudades!!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Inquietação

Que é esta inquietação, este anseio de alma, esta resposta sem pergunta, que retira a cor dos dias,esvazia os sons circundantes e chama, chama, mas não sabemos de onde...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Passwords

Completamente farta deste inferno calvário tortura a que as ditas regras básicas de segurança nos obrigam diariamente como se fosse a coisa mais básica e simples do mundo! Pois não é não! Com tanta password e requisitos, com sites que nos obrigam a usar passwords próprias, ou que exigem símbolos específicos, ou proporções de maiúsculas, algarismos ou do raio que me carregue, e que muitas das vezes nos forçam a alterar a password habitual, seja pela inserção de caracteres específicos, seja porque entendem que passou x tempo e toca a mudar de pass que a segurança foi comprometid - e Deus nos valha de usar a mesma, nem sonhem!, que a máquina sabe e não se engana, lembrando-se que a mesma é cópia exacta da anterior - Ai, porra que já me perdi e agora, esqueci qual a pass deste site, e a desta página tinha números no fim? Ou símbolos no meio? Eu simplesmente endoideço, que não encontro a folhinha de papel onde tomei nota da nova password ou então apaguei o email que continha a alteração da dita!!! É que depois, para recuperar a malvada da marafada da palavrinha que abre coisas, lá vêm mais uns quantos rituais de segurança, assim do tipo perguntas chave (e que, tenho a certeza, toda a gente acha muito básicas menos eu, que, sim, claro, sou armada em diferente, e nunca sei qual o meu cantor favorito do momento, ou a cor preferida à data em que preenchi estas coisas inúteis que só servem para nos fazer perder a paciência!, muito menos o nome de solteira da minha madrinha, grrrr...) e respirando e bufando lá vou eu tentar percorrer essa via sacra da recuperação, nunca entendendo qual a lógica que presidiu a tantas regras e questões... Claro que a possibilidade de confirmar ao nosso querido browser de estimação a memorização pelo dito da palavra pass do site x e do site y também se converte numa faquinha de dois bicos: pois se é um alívio não termos de pensar mais naquelas infames chaves e respectivas fechaduras, mal passamos a estar quando mudamos de browser ou de computador, pois se a nossa memória deixou há muito de se preocupar com tal informaçãozita tornada inútil pela referida automatação da tarefa lá bloqueamos nós... quando não bloqueamos o site também, após esgotar todas as possibilidades de «adivinhar» a password... Bloquearam?? Eu também!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Desconstrução

Fico sempre espantada com a capacidade que algumas pessoas têm de reduzir sua máxima de vida, seu tema ou pelo menos sua intenção de momento numa frase ou parágrafo.Terá a ver com a minha incapacidade sintética. Certamente! Sou por natureza pormenorizada e esclarecedora; para explicar ou partilhar uma ideia tenho que me recorrer de imagens, analogias, teorias e hipóteses! Por muito boa que ache uma frase - e são tantas! :) - não consigo escolher uma e definir assim por qualquer estranha forma um sentido principal de vida. Sinto-me por vezes como uma vira casacas das intenções e sentidos, pois o que hoje é amanhã pode nunca ter sido!
A vida é uma evolução e nós somos feitos de tantas variáveis e linhas que amanhã somos bem diferentes do que fomos ontem; bolas, sou diferente ao acabar este texto daquela que o iniciou. Espantam-me aqueles seres que altivamente apregoam a sua certeza inabalável, as suas convicções rochosamente firmes, os seus princípios ferreamente estáveis! Mudar de ideias, de pontos de vista, de posição, por via da aprendizagem, do confronto com a diferença, da partilha com os outros, e sobretudo exercitar a tolerância como forma de aprender e abrir a alma a novas formas de ser, estar ou sentir,é sem dúvida uma forma de evolução. Por isso não me serve a capacidade redutora de alguns, a firmeza surda ou a intransigência pessoal. Por isso não tenho lema ou máxima de vida. Porque me desconstruo todos os dias para assim aceder a mim cada vez mais.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Felicidade e um capuccino na ria

Das coisas que mais gosto de fazer ao fim de semana é passear em Alvor.Seja para capuccino na ria, seja passear com as cadelas ou correr no imenso passadiço de madeira... ou apenas dar a volta pela vila, almoçar num dos restaurantes...
A cor e ar inspiram-me, revigoram-me. O ritual repetido este domingo em família fica partilhado nas fotos, entre a alegria da Viki e as corridas esbaforidas da Nina e companhia.
São momentos em que o mundo simplesmente está no seu lugar, completo, no presente, sem angústia, dúvida ou inquietação. Há certas coisas que sabem melhor em certos sítios... como a bola de berlim sem creme na praia, assim o capuccino na ria... Afinal, isso também é felicidade, não é? :)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Passatempo Concreto/Imperatriz Sissi

A Concreto e a Imperatriz Sissi juntaram-se para lançar um concurso pelo qual podemos ganhar uma camisola fantástica!!! É aqui que podem começar para participar!!! Boa sorte!!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Links sobre propriocepção

Como referi, aqui fica o link da wikipédia sobre o sistema proprioceptivo e este o de um artigo sobre tratamento da dislexia, um dos aspetos mais fortes que as disfunções deste sistema podem apresentar. Um dos autores é o Dr. Orlando Alves da Silva, o único ofalmologista que trata e conhece esta sintomática em Portugal, creio, e reconhecido internacionalmente. Tem ainda um blogue com explicações sobre este problema. Gostava muito de receber algum feedback sobre a questão, nomeadamente se alguém já conhecia esta problemática, ou se se reconhece nestas descrições pois uma maior informação e conhecimento poderia ajudar muitas pessoas que - como eu - podem andar a percorrer pequenos calvários nomeadamente no que toca a dificuldades de visão e de se adaptar a lentes corretivas normais, ou que se sentem dimunídas nas suas aptidões sociais em virtude de tais problemas. Outro aspecto curioso com que me tenho deparado, para além da minha dificuldade em fazer que os meus interlocutores ganhem alguma percepção deste problema, ou desta diferença, é, de um modo generalizado, uma quase total indiferença, para não dizer mesmo desprezo e incompreensão para a temática.A maioria das pessoas desconsidera a questão, nem mais se preocupa com isso, sequer para nos facilitar um pouco o dia a dia ou se lembrar do problema; afinal, é algo invisível e não somos portadores de deficiência física notória ou doença socialmente reconhecida como «grave». Umas tonturas, desequilíbrios e encontrões, uma dificuldades em soletrar ou ler, enfim, ver mais ou menos desfocado... isso lá é problema sério?? Fica muito mais fácil esquecer, não relevar, e rotular-nos como distraídos, desastrados, disléxicos e por aí fora! Como se a dislexia fosse uma coisa que se explica por si própria e pronto! Gostava muito de, num futuro breve, poder criar um grupo, por ex., sobre esta temática, para que pudéssemos trocar ideias, ajudas e dar a conhecer melhor os nossos problemas. Mas sem respostas e contatos, continuarei a pregar sozinha e a sentir-me sozinha. Como até aqui.

domingo, 11 de novembro de 2012

A propriocepção e a desastritude

Não, não sou desastrada. Nem distraída. Simplesmente, não funciono - ou melhor, o meu cérebro - da mesma forma que a maioria das pessoas. Quando me viro numa loja ou outro ambiente normalmente mobilado ou decorado, certamente que ou tropeço num dos expositores, ou o deito abaixo caso o mesmo não se encontre bem fixo! Se estou a subir ou descer uma escada não posso tirar os olhinhos dos degraus, senão catrapum galgo-os a todos de uma vez só... carregar volumes que impeçam ou diminuam a visibilidade então... Nem imaginam como é difícil controlar o espaço circundante em relação às pessoas que me rodeiam, sobretudo se carregar sacos, malas ou outros tipos de volumes... nem consigo avançar nem circular sem que me assegurem antecipadamente uma boa dose de área circundante; caso contrário, certinho e sabido, lá vou eu de encontro ao mais próximo, seja pessoa, objecto ou volume, e isso se antes mesmo me não desequilibrar nos próprios pés! Por falar nisso, e uma vez que o meu cérebro não faz a mínima ideia de qual a distância correta até ao chão, nem se apercebe completamente da textura do mesmo - nem sei muito bem o que é isso de superfícies lisas, pois são todas um pouco convexas para mim, ou côncavas... - tropeçar nos próprios pés, para mim, não é uma expressão literal, é mesmo real. Irra, e cada tropeção por vezes! Não sou desastrada, insisto, nem desequilibrada. Ah sim, pareço-vos estranha, e rotulam-me como tal, eu compreendo! Mas acreditam o quanto estou cansada??? É que não acreditam como é cansativo viver diariamente assim, nesta confusão espacial, nesta dificuldade postural perante o mundo normal, cheio de obstáculos e desafios, e ainda ter que encarar os vossos olhares de comiseração -«lá está a patetinha a fazer figuras tristes outra vez!» - de incompreensão - «mas esta gaja é chanfrada ou quê???» - de saturação - «arre mas outra vez????» - e por aí fora... Dos que nos estão mais próximo, vivendo connosco no dia a dia e que continuam a não fazer ideia e a não ter capacidade para prevenir em vez de provocar... Precisei de muita coragem para hoje vir aqui partilhar este texto, este desabafo, na esperança de que alguns possam começar a aperceber-se desta realidade diferente, por um lado; e na de que outros como eu (tenho a certeza de que os há, muitos sem saberem o que têm, desconhecendo a sua própria situação) possam reconhecer-se e saber que não estão sós. Pessoas como eu - como nós - têm uma síndrome do sistema proprioceptivo. Poderão procurar alguma informação sobre isso na wikipédia nesse link, sendo fundamental esse artigo para ajudar a perceber de forma simples o problema. A dislexia e as deficiências posturais são formas de expressão mais conhecidas dessa sindrome. Mas as dificuldades que ela coloca no dia a dia e que se revelam naquelas coisinhas diárias como subir escadas, desequilibrar-se (basta virar a cabeça e zás!... depois tem que esperar pelo alinhamento, sem cair entretanto!)tropeçar ou bater em objetos...tornam-se por vezes inultrapassáveis em termos de aptidões sociais que resultam afetadas ou diminuídas. Repito: não sou desastrada, nem distraída; eu simplesmente não sei calcular a minha localização espacial, nem bem qual o volume ocupado pelo meu corpo. Da mesma forma, só consigo concentrar-me em uma coisa de cada vez. Literalmente. O multitasking não é para mim, nem sequer uma conversa inocente enquanto estou concentrada em qualquer atividade básica. De imediato, tudo cai das mãos, tudo sai do sítio, e também apanho cada susto sempre que me interpelam de repente ou surjam do nada. O que eu mais queria era que entendessem, respeitassem a diferença e, de uma vez por todas, parassem de olhar para mim como a desastrada, a tontinha, a exuberante... pode ser?

sábado, 10 de novembro de 2012

Compulsão

Leio compulsivamente. Desde sempre. Esse movimento, juntando letras, carateres, e deles fazendo sentidos, expressões, comunicando em silêncio ou declamando, é-me simplesmente tão essencial como respirar, pestanejar ou estremecer ao passar do vento pela minha pele. Tenho verdadeira dificuldade em alimentar uma mente vazia, e busco avidamente essas figurinhas, esses simbolos que descobrem novos mundos, novas texturas, que partilham anonimamente vidas e desvios, e sou assaltada por pura ansiedade se constatar que,ao acabar a leitura atual ainda não encontrei sucessor para preencher esse vácuo irreal e indesejado... De forma tão naturalmente compulsiva e reflexa, irracional mesmo, leio tudo o que se me atravessa ao caminho, mais fugaz ou rápida por vezes, mais tímida e recôndita doutras, seja a placa da mercearia, a placa de matrícula, o anúncio colorido, o placard enorme; seja a legenda descodificando o diálogo, as instruções de qualquer produto ou utensílio, seja mesmo a tabela de preços da cafetaria. Queria respirar letras. Poderei?

sexta-feira, 2 de março de 2012

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011)


A ver com um sorriso plasmado e uma lágrima no canto do olho, um momento de pura simplicidade, beleza e magia que nos deixa a alma lavada e uma sensação de beleza pura.
Com efeito, «if life is enjoyed, does it have to make sense?»
Com efeito!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Carnaval

As minhas princesas no Carnaval :) http://www.evernote.com/shard/s178/sh/7a258a66-9ca7-4a67-87e5-c628b90e143c/3c0c5d209e0cce4f5150f9cb23f53015

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Devolvida!

Fico incrédula, meio estática, a olhar para a tv de chávena de café na mão, a meio caminho, sem saber se acredite ou desacredite; sem poder crer que alguém venha alardar esta «devolução» como se tivesse sido enganado na execução de um contrato de compra e venda de um bem defeituoso! Defeituoso evidencia-se, isso sim, este pseudo adoptante, cheio de tiques e de indignação por ter sido induzido em erro quanto à alegada saúde mental da criança adoptada!!!
A adopção devia ser acto de amor incondicional, de responsabilidade imensa e preparada para aceitar uma criança como ser integral, inesperado, revelação, desafio, exigência, superação...
Nem me detenho a comentar todo o processo em si, de préadopção, de conhecimento, etc... para 5 dias após da adopção a criança ser devolvida! Isso nem a um animal se faz!
Hediondo!
Pergunto: quem selecciona estes pretendentes a pais de algibeira? Problemas psíquicos graves têm estes indivíduos e a estes pergunto eu: não se pode trocá-los?
Responsabilização exige-se! Amor precisa-se!
Estou literalmente em choque|

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Josefa, a bombeira
"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, uma jovem daquelas que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatária de juventude.
Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão.
Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."
Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das "Josefas que são o sal da nossa terra?"

Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias


Divulgue............
Vamos dar-lhe um minuto de atenção.
E honrar a sua memória !!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dia Feliz

O vento já sopra e refresca um pouco. Saímos do parque e abro o carro.
- Vá lá filha, entra.
- Mãe - diz ela, enquanto se endireita na cadeirinha - como achas que foi este dia?
- Hmmm... não sei bem filha...
Acabo de lhe apertar o cinto de segurança.
- Diz-me tu o que achas, vai pensando enquanto eu entro no carro.
Fecho a porta do lado dela e dou a volta para entrar no lugar do condutor.
- Sabes, mãe, acho que hoje foi... um dia feliz! Sim, é isso.
- Exactamente o que eu penso filhota! Sim, um dia feliz.
Sorrio e arranco. Vamos lá dar uma volta e depois completar os rituais do fim do dia, iguais aos das outras mães e filhotas...
(Para ser um dia perfeito, só faltou um pratinho de caracóis... fica para a próxima ;))