quinta-feira, 18 de abril de 2013

Corpo (im)perfeito

Levei quase uma vida inteira - pelo menos a que vivi até agora - para finalmente começar a aceitar o meu corpo como ele é. Também, verdade seja dita, nunca tive muito por onde me queixar. Nem problemas de peso nem zonas desproporcionadas, enfim, no global o boneco apresentava-se agradável à vista. Mas, claro, inseguranças sempre as houve. E, naturalmene que, após quatro filhos e meio, e ultrapassada com alguma surpresa a casa dos 50, constatei a instalação involuntária de uns quilitos a mais; e de umas zonas menos rijas, mais amplas... o alarme tocou e a frequência do ginásio passou a ser (ainda) mais obrigatória, bem como a busca de cremes e tratamentos que consigam amenizar tais características indesejadas. Gosto sinceramente de actividade física e não preciso de me esforçar ou obrigar a praticá-la. Mas o meu corpo não se esculpiu milagrosamente no de uma atleta ou praticante profissional! :) Claro que se veem melhorias, diferenças, mas subtis e lentas... e a dada altura dei por mim a constatar que afinal não me interessa e nunca foi meu objectivo obter um corpo inalcançável, daqueles que até atleta precisa retocar com photoshop! É maravilhoso apreciar as diferenças fundamentais e infinitas dos corpos humanos, e sentir que cada um é perfeito para cada qual. Na verdade, compreendi que até a prática do exercício físico deve ser feita de acordo com esse pressuposto: a aceitação do meu corpo como ele é.Eu passei a aceitar o meu corpo, pois aquela barriguinha que ainda me atormenta é testemunho de quatro gravidezes maravilhosas, e de tudo o mais que como mulher me determinou e me fez quem sou hoje. Esses motivos de orgulho, o tempo que por mim passou estão escritos no meu rosto, nas minhas mãos (ai, só tirava esses eczemas malvados... :))nas veias nas minhas pernas, nas rugas no canto dos olhos, e eu não queria que não fosse assim! Parecer ter outra vez menos de 30 anos, ou usar uma face sem expressão, com lábios e bochechas desenhados a botox ou outro elemento não naturalmente produzido pelo meu corpo seria negar a mim mesma, afirmar uma total insegurança e aceitação da vida. Não quero com isso dizer que não nos tratemos, não nos cuidemos! Cuidar, tratar, exercitar, faz parte de ser saudável, pois só assim teremos qualidade e prazer de vida! O que eu não preciso mais é de me sentir mal na minha pele ou viver obcecada em tentar atingir modelos ou transformações excessivas que não são reais nem sequer desejáveis para o tipo de corpo ou de vida de cada um! Por isso já não me sinto incomodada de mostrar a barriga na praia ou culpada ao me comparar com aquelas proprietárias de corpos musculados e desprovidos de umas gordurinhas bem dispostas... é tudo uma questão de relatividade, bom senso e sobretudo...opções. Sem excessos. Sem protagonismos. Estou a começar a aceitar-me. Com defeitos. Imperfeições. E procurando todos os dias tornar-me uma pessoa melhor. Pelos outros e para tornar este mundo umpouco menos agreste para os que se cruzam no meu caminho. Isso sim, que é VIDA!

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