sábado, 10 de novembro de 2012
Compulsão
Leio compulsivamente. Desde sempre. Esse movimento, juntando letras, carateres, e deles fazendo sentidos, expressões, comunicando em silêncio ou declamando, é-me simplesmente tão essencial como respirar, pestanejar ou estremecer ao passar do vento pela minha pele.
Tenho verdadeira dificuldade em alimentar uma mente vazia, e busco avidamente essas figurinhas, esses simbolos que descobrem novos mundos, novas texturas, que partilham anonimamente vidas e desvios, e sou assaltada por pura ansiedade se constatar que,ao acabar a leitura atual ainda não encontrei sucessor para preencher esse vácuo irreal e indesejado...
De forma tão naturalmente compulsiva e reflexa, irracional mesmo, leio tudo o que se me atravessa ao caminho, mais fugaz ou rápida por vezes, mais tímida e recôndita doutras, seja a placa da mercearia, a placa de matrícula, o anúncio colorido, o placard enorme; seja a legenda descodificando o diálogo, as instruções de qualquer produto ou utensílio, seja mesmo a tabela de preços da cafetaria.
Queria respirar letras. Poderei?
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