sábado, 9 de fevereiro de 2013

O grande C

Estava eu a acabar de me empanturrar com uns quantos hidratos de carbono - ao estilo vale tudo, misturemos arroz com batata e pão encharcado no molho rico e espesso!- ou não fosse sábado calmo e ensolarado com tempo para preguiça e vontade de compensar o estoicismo semanal, quando na tv da cozinha, sintonizada na Sic mulher para companhia leve de fundo, que nem padrão do ambiente de trabalho, estreia o 1º episódio da 1ª temporada de uma série que me tem feito refletir, e, mesmo discordando de algumas das opções da protagonista ou da história, me tem feito sentir mais e melhor algumas destas curiosidades da vida: The Big C.
A quem não conheça ou não tenha visto, recomendo que o façam. Confiram a grelha do canal e gravem ou vejam sim. Esclareço que o nome da série vem do facto de a protagonista ter acabado de ser diagnosticada com cancro - melanoma - avançado e parte daí para a acompanhar nesse percurso, nessa descoberta de si mesma, da família e dos relacionamentos com os outros. Sem lamechices, sem estereótipos, com uma visão assombrosa e descarada, com fiascos e erros absolutamente humanos, com desejos e desafios. A não perder, absolutamente!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Faturação obrigatória e advocacia

Já nem sei se ando desanimada, revoltada, cansada, exasperada… sei que cada vez me revejo menos nos caminhos da advocacia e da Ordem, que não me identifico com estas constantes internas lutas pelo «poder» e quejandices, que desespero no dia a dia para tentar atender às necessidades e solicitações diárias dos clientes e do sistema judiciário… E que me preocupa MUITO o atual rumo das coisas! Nomeadamente, preocupa-me a actual legislação conformadora, excessiva, kafkiana, injusta e, no meu entender, desproporcional que a AT tão zelosamente nos relembra e impõe, e perante a qual os nossos representantes e órgãos nada mais fazem senão enviar regras e quadros sínteses relativos ao bom «cumprimento» desta vergonhosa palhaçada, além de promoverem fabulásticas conferências de formação. Passo, agora, com vossa licença, a explicar: E, enquadrando, frequentei uma destas conferências na passada quarta feira; anteontem, portanto, está tudo muito fresquinho na minha alma! Ora, no c aso por mim assistido, os senhores inspectores que procederam à dita mostraram tal arrogância, superioridade e mesmo algum desprezo pelos presentes, respondendo de forma condescente, patronizadora e visivelmente agastados pelas dúvidas dos presentes – enfim, essa escumalha de advogados que só querem é procurar formas de escapar ao controlo da AT! – que a todos nos deixou com o estômago às voltas… E, como referia uma colega nossa, de comarca vizinha à minha, «digam-nos onde está a bandeja com as pistolas para que nos possamos suicidar desde já!» [sic Paulinha...:)) Encerrando o enquadramento, passo agora a expor a minha preocupação maior, e que saiu reforçada da tal conferência: PORQUE RAIO NÃO ESTÁ A MINHA ORDEM A TRABALHAR DE FORMA CORPORATIVA, COMO VERDADEIRO LOBBY SE NECESSÁRIO, A LUTAR PARA RETIRAR OS ADVOGADOS DA APLICAÇÃO DESTA ABERRAÇÃO QUE Á A FATURAÇÃO OBRIGATÓRIA!!! Porque raio não é criado um regime de excepção para a nossa profissão, atentas as suas especificidades, com a obrigatoriedade de passagem de recibo – electrónico ou não, tanto faz (permitam-me salientar que a questão não é a de lançamento ou processamento eletrónico das faturas/recibos, mas sim a de faturação obrigatória de todos os movimentos e recebimentos dos clientes, bem como a respetiva comunicação à AT) – nos termos em que já o era anteriormente, sendo-nos permitido continuar a elaborar notas de honorários sem programas de faturação contabilística, certificados ou não, e sem essa absurda obrigação de comunicar até dia 25 do mês seguinte todas as ditas faturas emitidas!!! Não se deixem enganar, o que está em causa é esta obrigatoriedade, é o facto de a nossa actividade ser agora formalmente igualzinha à de um comerciante ou empresa para a AT! Não me repugna nada a utilização de meios eletrónicos e acho que a passagem dos recibos eletrónicos pelo Portal até é benéfica, facilita o cumprimento das obrigações fiscais, nomeadamente da declaração dos recibos e rendimentos. O que não me permito é ser considerada uma comerciante a passar faturas! Não admito que me obriguem a passar «faturas» dos serviços prestados no âmbito do AJ e pagar o respetivo e hipotético IVA quando lanço no sistema os dados dos processos sem receber tusto do estado, esse vil e abjecto organismo que me cobra assim ¼ ou mais dos meus suados frutos do trabalho à cabeça!Por exemplo! Mais vale fechar a barraca e pedir o rendimento mínimo! Quero que a minha Ordem me represente e actue! Quero atuar e ajudar. Quero que se reflicta sobre isto! Mas pronto, lá estou eu…

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O sistema reprodutivo...

A Vitória hoje aprendeu sobre o sistema reprodutivo (ou reprodutor...) lá na escola. Orgulhosa, partilha comigo este novo saber mal senta no carro e nos metemos à estrada. Manifesta curiosidade perante a pequenez do bebé no seu início, «mais pequeno que uma uva», e algum nojo pela compreensão do interior do corpo humano :) tenta ainda perceber cabalmente aquela história de apenas um «coiso» chegar lá... parece ter entendido que sim, essa será a regra mas que, excecionalmente, pode dar-se mais do que uma fecundação, originando gémeos... ao fim de algum tempo conclui: «Oh mãe, mas tu tiveste muitos!» Hmmm... pois... sim, enfim, quatro e meio, como costumo dizer, não serão poucos, pelo menos pelos padrões atuais... :)
Fica-me a dúvida se a frase incluiria respeito, admiração, incredulidade... perante a actual percepção de como nascem os bebés... ou talvez apenas se trate de uma mera constatação de factos puramente! Deve ser! Pois!

domingo, 27 de janeiro de 2013

agosto no algarve

Ainda não consegui perceber se é fogo de vista, petulância mesmo ou sinceridade. Aquela história que tanto algarvio gosta de propagandear segundo a qual em agosto isto é um caos, insuportavelmente cheio de gente e, como tal, reformulando sólida tradição, orgulhosamente «fogem» em tal fatídico mês!
Quem os ouve fica com a nítida impressão que todo o algarvio que se preze passa o verão na neve ou no campo, enfim, num qualquer ponto que não no tradicional destino preferido de férias de verão dos nacionais: a praia!
Antes de mais, permitam-me: eu adoro a praia no verão! Todo o ano adoro esta sensação do mar aqui ao lado, o privilégio desta cor deste céu desta luz todo o ano! E não vivo cá pela porra da qualidade de vida, o sossego e o tanas... Vivo cá por escolha, por amor puro, pelas características únicas desta terra. O mar e a praia fazem-me mais falta que mil campos verdejantes, montanhas e interiores; e no verão há como resistir ao que este de melhor tem, que é a praia? Não. Assim, escolhi viver todo o ano no local para onde sempre quereria passar férias de verão.
Por isso, não saio daqui em agosto, bem pelo contrário! E sim, tenho férias sempre em agosto!!! Que sentido teria trocar um destino maravilhoso de verão para ir pagar por outro destino balnear? Assim, algarvia de coração me confesso: adoro o verão no algarve, adoro este mar de gente que aqui vem partilhar comigo a felicidade, o prazer e a alegria que a minha terra lhes proporciona, sou sortuda por dela desfrutar todo o ano, não arredo pé nem abro mão do verão por cá, e venha agosto depressa que estou cheia de saudades!!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Inquietação

Que é esta inquietação, este anseio de alma, esta resposta sem pergunta, que retira a cor dos dias,esvazia os sons circundantes e chama, chama, mas não sabemos de onde...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Passwords

Completamente farta deste inferno calvário tortura a que as ditas regras básicas de segurança nos obrigam diariamente como se fosse a coisa mais básica e simples do mundo! Pois não é não! Com tanta password e requisitos, com sites que nos obrigam a usar passwords próprias, ou que exigem símbolos específicos, ou proporções de maiúsculas, algarismos ou do raio que me carregue, e que muitas das vezes nos forçam a alterar a password habitual, seja pela inserção de caracteres específicos, seja porque entendem que passou x tempo e toca a mudar de pass que a segurança foi comprometid - e Deus nos valha de usar a mesma, nem sonhem!, que a máquina sabe e não se engana, lembrando-se que a mesma é cópia exacta da anterior - Ai, porra que já me perdi e agora, esqueci qual a pass deste site, e a desta página tinha números no fim? Ou símbolos no meio? Eu simplesmente endoideço, que não encontro a folhinha de papel onde tomei nota da nova password ou então apaguei o email que continha a alteração da dita!!! É que depois, para recuperar a malvada da marafada da palavrinha que abre coisas, lá vêm mais uns quantos rituais de segurança, assim do tipo perguntas chave (e que, tenho a certeza, toda a gente acha muito básicas menos eu, que, sim, claro, sou armada em diferente, e nunca sei qual o meu cantor favorito do momento, ou a cor preferida à data em que preenchi estas coisas inúteis que só servem para nos fazer perder a paciência!, muito menos o nome de solteira da minha madrinha, grrrr...) e respirando e bufando lá vou eu tentar percorrer essa via sacra da recuperação, nunca entendendo qual a lógica que presidiu a tantas regras e questões... Claro que a possibilidade de confirmar ao nosso querido browser de estimação a memorização pelo dito da palavra pass do site x e do site y também se converte numa faquinha de dois bicos: pois se é um alívio não termos de pensar mais naquelas infames chaves e respectivas fechaduras, mal passamos a estar quando mudamos de browser ou de computador, pois se a nossa memória deixou há muito de se preocupar com tal informaçãozita tornada inútil pela referida automatação da tarefa lá bloqueamos nós... quando não bloqueamos o site também, após esgotar todas as possibilidades de «adivinhar» a password... Bloquearam?? Eu também!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Desconstrução

Fico sempre espantada com a capacidade que algumas pessoas têm de reduzir sua máxima de vida, seu tema ou pelo menos sua intenção de momento numa frase ou parágrafo.Terá a ver com a minha incapacidade sintética. Certamente! Sou por natureza pormenorizada e esclarecedora; para explicar ou partilhar uma ideia tenho que me recorrer de imagens, analogias, teorias e hipóteses! Por muito boa que ache uma frase - e são tantas! :) - não consigo escolher uma e definir assim por qualquer estranha forma um sentido principal de vida. Sinto-me por vezes como uma vira casacas das intenções e sentidos, pois o que hoje é amanhã pode nunca ter sido!
A vida é uma evolução e nós somos feitos de tantas variáveis e linhas que amanhã somos bem diferentes do que fomos ontem; bolas, sou diferente ao acabar este texto daquela que o iniciou. Espantam-me aqueles seres que altivamente apregoam a sua certeza inabalável, as suas convicções rochosamente firmes, os seus princípios ferreamente estáveis! Mudar de ideias, de pontos de vista, de posição, por via da aprendizagem, do confronto com a diferença, da partilha com os outros, e sobretudo exercitar a tolerância como forma de aprender e abrir a alma a novas formas de ser, estar ou sentir,é sem dúvida uma forma de evolução. Por isso não me serve a capacidade redutora de alguns, a firmeza surda ou a intransigência pessoal. Por isso não tenho lema ou máxima de vida. Porque me desconstruo todos os dias para assim aceder a mim cada vez mais.