quarta-feira, 3 de junho de 2009

Redentores

Existem autores e séries assim: redentores.

É o que acontece com Huraki Murakami, que só recentemente descobri, primeiro com Passageiros da Noite (After Dark) e agora com Dança, Dança, Dança. É quase compulsivo, surpreendente, inesperado. É redentor e misterioso. Quase como uma religião, os seus livros tornam-se imprescindíveis, a sua escrita viciante e poderosa.

No campo das séries, sou uma fanática por ficção científica. De Star Wars a Star Trek, Stargate a Andromeda, passando pelas Feiticeiras, num registo diverso, papo tudo, salvo seja.
Já estão a apanhar o estilo...

Não tenho pingo de paciência para CSIs e outros policiais ou dramalhões...

E, depois, de repente, um belo dia deparo-me com essa coisa soberba e atrozmente simples que dá pelo nome de Joan of Arcadia, ou A Missão de Joan.

Redentor, sublime, avassalador, envolvente. Uma outra religião, um espanto, um conceito tão simples e arrebatador que só nos deixa sem palavras, plenos de fé na condição humana e na redenção da nossa espécie.Não passo um episódio sem essa sensação maravilhosa de arrebatamento e sem uma lágrima furtiva, na menor das hipóteses, quando não com um choro compulsivo, muitas vezes de maravilhamento.



Redenção e fé. Pura e simples. Pois é. Maravilhem-se também. Leiam. E vejam séries.

Agora, vou ver mais um episódio de Andromeda, ah siiiiiim...

Dia da Criança

Dia 1 de Junho 2009

Temos tanta sorte!
Vivemos numa sociedade ocidental, temos condições de vida com qualidade, não passamos fome.

Enquanto a cada hora, morrem centenas, milhares de crianças, desidratadas, com fome, por doença, vítimas de guerra e outras calamidades.

É claro que, ocidentais civilizados que somos, neste dia compramos mais prendas para as nossas crianças, levamo-las ao cinema, ao Mc donalds... e nem pensamos nas outras. Pois!

Afinal, o Dia da Criança é o dia deles. Mais um dia para tentarmos revitalizar a nossa debilitada e massacrada economia, assente num modelo decadente e a rebentar pelas costuras, através do apelo ao consumismo, em nome da felicidade dos nossos petizes.
Claro que também me insiro nesta coisa maluca de celebração, e fui com a Viki passar umas horas na diversão respectiva. A mocinha não queria vir embora sem experimentar tudo, de insufláveis a pintura de cara, balões...


Tava linda, não estava? E feliz, claro, e isso vale tudo! Até as dores nos pés, quem me mandou ir de saltos altos, e com a Nina a puxar a trela, excitada, o tempo todo?



Mas não vamos esquecer a verdadeira razão deste Dia, que é lembrar e pugnar pelos Direitos das crianças, em todas as vertentes, desde a saúde, alimentação, a uma família responsável e amorosa, a segurança, carinho, etc., etc.
Combinado?

Pedidos de apreensão online, mais uma saga

Toda aquela história do carro do Ric levou-me, na net, a fazer algumas buscas. O que me levou a outra história.
Em Janeiro de 1997 adquiri um carrinho novo e, como qualquer outra pessoa, entreguei o meu veículo antigo ao stand, para a troca, abatendo o respectivo valor no preço de compra do novo. Pois.
Só que o dito veículo continua em meu nome. Lá figuro eu como orgulhosa proprietária de um Alfa Romeo 33 cinzento, o Indy. Todos os anos as almas caridosas que o possuem cumprem a respectiva obrigação tributária relativa ao mesmo. Como, não sei. Só que isto já me chateia.
Ainda por cima, tornou-se obrigatória a regularização desta situação, que deveria ter ocorrido até 31 Dezembro de 2008. E não ocorreu.
Ontem á noite lá fui ao site das finanças, onde estamos totalmente cadastrados, só falta saberem a nossa cor preferida e em que colchão dormimos, e constatei que a situação continua inalterável. E que o impostozinho, devido em Maio, até já foi atempadamente liquidado. Bem, lá que eu sou uma cidadã muito cumpridora, ai isso sou.
Bem, sigo para o site do automóvel online, e confirmo a possibilidade de requerer a apreensão do veículo, na qualidade de proprietária, em virtude da não regularização da documentação do mesmo.
Identifico-me pelo meu NIF e, na qualidade de proprietária, preencho os campos do formulário online. Quando finalizo, o lindo do sistema diz-me que o meu nº de identificação (BI) e a matrícula não conferem! Zás! Boaaaaa... então que raio de BI é que consta ou confere? O meu não é, certamente, apesar de eu constar como proprietária e dao Alfa estar na lista dos veículos que me pertencem... pelo menos é o que consta no portal das finanças, lol, matrícula, nº de quadro, tudo certinho, até o meu nome.
Tento várias vezes e nada. Tento introduzir o nº da carta de condução e, novidade, o site deixa de estar disponível, até me pede desculpas e que tente mais tarde. Pois!
Voltando às possibilidades constantes da página inicial, só se mostra acessível a entrada através de certificado digital, a entrada com autenticação pelo nº de contribuinte deixou de estar disponível. Mas que raio???
Espero, actualizo, fecho e volto a abrir... naaa, a coisa desapareceu.
Bom, mas eu sou advogada, certo? Até tenho um certificado digital, vejam lá! Boaaaa! Mas não será um pouco estranho? Ora deixa cá ver, a coisa funciona e logo á primeira. Automaticamente o sistema identifica-me e reconhece-me a actuar na minha capacidade como representante de alguém. Ainda inicio o pedido, em representação de mim própria, mas aquilo soa-me tudo tão irreal que hesito e volto atrás.
Mas o sistema continua fechadinho para as restantes opções e eu decido que ele não me há-de levar a melhor, esta porra do carro fica resolvida hoje, não querem lá ver?
Recomeço, preencho tudo como representante de mim própria, tudo certinho e legal. Em vez do BI optei pelo nº da carta de condução, na identificação da proprietária.
Epaaaa, a coisa aceitou e entrou à primeira, não querem lá ver?
E pronto, já existe um pedido de apreensão do Indy... Kafkiano, como parece ser tudo nestes novos sistemas online.
O que vai acontecer em seguida? Pffft, não faço a mais pequena ideia, mas se ao fim de 6 meses não se mostrar regularizada a situação, a matrícula é automaticamente cancelada. E pum!

Automóveis e apreensões: Kafka e o sistema

Ontem, a GNR mandou parar o meu filho mais velho, que conduzia o seu podre Fiat Punto, para o informar que o dito veículo vermelhão se encontrava... apreendido! Vá-se lá é saber porquê! Népias, nem multas o rapaz tem, não surge qualquer indicação no computador dos senhores agentes, a nãos er a bela da palavrinha: apreendido. E zás, é o sistema em todo o seu esplendor. Os senhores agentes estão intrigados, o Ric está pasmo, ninguém sabe explicar, segue-se a recomendação paternalista: «dirija-se ao Instituto da Mobilidade Terrestre (antiga DGV - não, não é a de veterinária, a outra, a de viação, que controla os nossos popós!) para ver o que se passa...».
A Faro, claro, a 60 kms de distância... Vá lá, deixam o moço ficar com o carro!
No meu papel de mãe, pasmo por minha vez perante o relato do rebento; como advogada, lanço de imediato umas bacoradas pró ar, estilo «como este país trata os seus cidadãos», «é o simplex no seu esplendor», «mais um erro de sistema», blá, blá, blá. Tento obter alguma informação por telefone, mas não atendem do dito Instituto, impõe-se uma deslocação, que terá que ficar para amanhã. Online busco, e rebusco, nomeadamente no site do IMTT, mas nada encontro que me possa ajudar ou dar uma pista.
Vamos então aguardar amanhã pelo desenvolvimento desta bizarra apreensão infundada...