terça-feira, 20 de maio de 2008

POBREZA

Estou assustada. E envergonhada. Ouvi esta manhã, na rádio, que quase 1/4 das crianças portuguesas passa fome. E o mesmo para os adultos... Ainda por cima, essas crianças são mal amadas, maltratadas e desprezadas, tanto na escola como em casa.

Estes níveis de pobreza já não são apenas alarmantes, são assustadores e que fazemos nós? O que se passa? Onde está a nossa consciência social e humana? Mandamos umas bocas moralistas, culpamos o Governo e as instituições, sacudimos a responsabilidade, qual molha de verão, para outros, sob a cobertura de organismos de solidariedade ou caridade, achando que já fazemos muito se doarmos uns tostões dos nossos magros orçamentos...


CHEGA!!! Basta de fechar os olhos ou desviar a atenção, de uma vez por todas, impõe-se que se processe uma alteração de comportamentos e mentalidade social. Isto não é um problema dos outros, esta é a dimensão da nossa Humanidade que está em causa! Enquanto sociedade, não podemos aceitar ou compactuar com estas situações. E também já não basta o sacrifício ou abnegação de alguns, poucos, solitários nesta demanda. Já só é possível mudar isto através de uma profunda alteração colectiva global.

A sociedade que construímos, os valores que implementámos, estão podres, falidos, procurar preservá-los e justificar-nos à sua sombra já não é mais do que chafurdar num monte de lama cada vez mais profundo.

Buscam-se novos valores, novas formas de estar e viver em sociedade, e é urgente que o façamos a tempo de salvar estas crianças e o nosso futuro. Todos juntos.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Victoria's Secret

Hoje vi na rua os placards publicitários da nova campanha de bikinis da Victoria's Secret.

Caramba, assim não vale! Usaram ninfetas de 12 anitos a apelar a anorexia por todos os poros...
Não me interpretem mal, não sou contra coisa nenhuma nem faço questão de me opor a qualquer campanha, acho a liberdade de expressão essencial e considero a publicidade um meio excepcional para inovar, criticar, abanar mentalidades e preconceitos, etc..

Mas, e obviamente, considero esta campanha, numa época em que estamos ou deveríamos estar muito mais conscientes da nossa saúde e do nosso corpo, e, logo, dos riscos da utilização de modelos deste tipo com as consequências nefastas para as adolescentes, sobretudo, ao nível de distúrbios alimentares e outros, considero-a, necessariamente, arriscada e fico na dúvida qual o público alvo da mesma. Certamente não as mulheres, nomeadamente as mulheres normais - já nem me incluo, ao mirar no espelho os meus 47 anitos recheados de curvas -, e poderia compreender se estivessemos perante uma marca destinada a adolescentes ninfetas...
E não é o caso de estarmos perante uma daquelas campanhas subversivas ou polémicas, o que seria natural e controversialmente saudável, estamos simplesmente perante nada, ou talvez não...

A partir deste momento e desta imagem, não consigo associar a Victoria's Secret àquela imagem de sensualidade e beleza da mulher, em qualquer idade, baseada na sedução, porque passou a comercializar imagens de meninas pré-adolescentes anorécticas, o que me assusta.

Como eu gosto daquelas campanhas e painéis da Dove com mulheres reais e beleza real!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Nina


Apresento o novo membro da família, a Nina, uma bebé boxer de 5 semanas, pela qual me apaixonei definitiva e irremediavelmente.

Esta coisa mais linda vai comigo para todo o lado na cestinha ou não...

E isso faz-me pensar neste laço misterioso, esta ligação espontânea e imediata entre o ser humano e o seu cão, este reconhecimento quase entre almas que se espelha nos olhares trocados e no entendimento mudo, na fidelidade e no afecto sem cobrança e sem troca. Como o Amor deve ser, mesmo.


E penso, muitas vezes, que a missão dos cães é essa, de nos ensinarem o que é o Amor incondicional e puro.

Será que nos apercebemos disso, será que os merecemos?

Estaremos dispostos a ver?

Espero que sim.

domingo, 20 de abril de 2008

Livros e jogos

Há mais de um mês que não visito este blog, não escrevo, não adiciono qualquer conteúdo... preguiça, falta de tempo, cansaço, seja qual for a desculpa, no fundo, tudo se reduz a uma questão de disciplina. E de opções. Claro, por vezes estas pendem para um bocadinho de jogo, um livro, uma série...
Por falar em livros, na passada semana, sem qualquer referência, dei literalmente com os olhos em cima de um livro, O Regresso da Atlântida, por Alyssa Day, e fiquei hipnotizada, assim do estilo «tenho de o levar», nem sabia bem porquê. Soube mal o comecei a ler, de um fôlego só, sem parar, em 24horas... electrizante, magnético, envolvente, cinematográfico, quero mais!!!

Para quando a edição dos restantes volumes da saga??? Aguardo ansiosamente!

O meu outro pecado prende-se com esse maravilhoso jogo para a Xbox360 que me fez matar as saudades de um bom RPG à maneira de Final Fantasy, para mais é uma obra do mesmo autor deste último: chama-se Lost Odyssey e é imperdível e viciante!

Com o tempo perfeitamente horrível e instável que se tem feito sentir, impedindo qualquer pretensão a passeios ou passeatas, resta-nos aproveitar estes pequenos lazeres e prazeres...

E porque a Viki chama por mim, aí vou eu...

quarta-feira, 12 de março de 2008

SÉRIES E RITMOS AFRICANOS

Ontem foi terça-feira. Pois claro. Para mim, a noite em que me torno uma zombie teledependente. Ah pois é! Ora vejam só: para além da saga diária das Feiticeiras - Charmed - no AXN a partir das 20h 30m, seguem-se logo os 4400 na Fox, mal dá tempo para o zapping, e assim que esta termina, permanecendo na mesma estação, chega a 2ª temporada de Heroes, e desta eu nem preciso falar... como não basta, mal o episódio conclui, carrego célere no botão do comando para rumar até à 2 e ainda ver o resto da Anatomia de Grey... Ufa! Se não adormecer antes, é uma saga inigualável em qualquer outro dia da semana, se bem que as segundas já tragam Jericho no AXN e as quartas a Bionic Woman e Moonlight seguidinhos na Fox, mas sempre sem concorrência séria para as terças...
E reparem que me restringi a estes 2 canais e meio... Nem quero pensar na dependência e tortura que deve ser para muitos organizar as tantas séries excelentes que passam em tantos canais e estações, mais a net e os downloads, ou programar e gravar para ver mais tarde...
Até os mais distraídos já perceberam que tenho uma enorme e indisfarçável fraqueza por tudo o que é sobrenatural, poderes, fantástico... no que toca ao mundo real, e a fazer concorrência à Grey, só mesmo E.R., às sextas, sempre depois das bruxinhas, eheheh...

Agora que revelei esta minha propensão para o fantástico e para o oculto, passo a uma confissão, quiçá politicamente incorrecta, mas genuína: não gosto da dita música africana. Que raio é essa coisa e essas versões todas do Kuduro, da Kizomba e sei lá o quê mais... nem me venham com mornas e Cesárias... epa, não gosto, ponto final. Da mesma forma que não gosto de jazz, para mim é um arrazoado de sons irritantes e perturbadores com a única finalidade de destruir a harmonia.
Também não me identifico com África, quer enquanto continente, quer culturalmente, nem tenho qualquer gosto ou propensão pelo que daí venha.
Sou europeia, sim, embora fascinada pelo oriente. Mas isso é outro tema, por agora regressamos ao continente negro. Talvez o meu não apreço pela dita música seja consequência da falta de atracção pelo continente, pela sua cultura e especificidades. Mas, que querem, aqueles ritmos de batuque soam-me primitivos e rudes, medievos e ... esqueçam, não vamos por aí.

Mas isto tudo porquê? Porque esta manhã, ao ouvir o Markl, a Semedo e companhia, estes anunciaram uma coisa alucinadamente fantástica que é o I Congresso de Música Africana - pelo menos, julgo que seja esse o nome - a decorrer em breve no S. Jorge, em Lisboa, e que inclui o 1º Campeonato Nacional de Kizomba, workshops, sei lá... Confesso que me ultrapassa, fiquem lá com essa, ver europeus a lambuzarem-se e a rebolarem com estes sons, mas pronto, há gostos para tudo, sem ofensa!

Tudo isto me faz lembrar um programa que passava na nossa TV pública - não sei se ainda passa - aos domingos matinais, aí pelas 6 ou 7 da madrugada e que incluia um top musical dos pimbas afrolusos, uma coisinha impensável! Alguém se lembra ou viu? Ainda me lembro da primeira vez que descobri essa pérola da programação africana, da minha incredulidade perante o conteúdo em causa, num domingo em que pensei que o meu cérebro me pregava uma partida de embrutecido que estava pelo despertar contrariado. Todos os pais e mães sabem bem o que é isso, ser acordado pela energia imparável dos nossos rebentinhos aos domingos de manhã - os diabinhos não respeitam nada! -, tentando não adormecer enquanto a prole nos deita a estante abaixo, e damos por nós a fazer zapping a essas horas impróprias, ainda por cima quando apenas se dispõe de 4 canais... e se descobrem inexoravelmente estas pérolas e tesourinhos...

E agora digam-me lá, é ou não uma fixação lusitana esta com as coisas africanas, com as danças e costumes, enfim, será um trauma colonial, uma saudade mal alinhavada do domínio de um continente muito mais vasto que a nossa pequenez? E as ditas lembranças e memórias e raízes inventadas por quase todos os que se arrogam de uma herança ou ascendência africana mesmo que de lá nada mais possuam que imagens retiradas de antigas fotos a preto e branco e a memória de uma época que nem era deles, mas dos seus progenitores, na melhor das hipóteses... é, no mínimo, um falso saudosismo, porque não se dirige realmente à terra e ao povo, mas antes a uma certa época e maneira de viver, localizada no tempo e no espaço, e fundamentada num domínio branco concreto, que nada tem que ver com a realidade e os tempos actuais. Mas desses, é melhor fugir mesmo, a não ser dos destinos turísticos seguros, pois claro. Estes saudosistas não querem voltar para lá, desejavam sim regressr ao tempo em que eram os brancos que mandavam nos pretos... Não estão cansados de os ouvir? Eu estou.

segunda-feira, 10 de março de 2008

OVERWHELMED

Que sensação é essa que nos assola assim de repente e nos deixa rentinhas ao chão, devassadas e sem força, com a exclusiva vontade de voltar para casa, mergulhar a cabeça no travesseiro, longe de tudo e todos, afogar-se na sua própria auto comiseração... isto servido, naturalmente, com um simples pretexto de descanso e desabafo, remédio mágico para a nossa própria recuperação, claro está.
Temos dias assim, até os mais fortes precisam de, esporadicamente, bater no fundo e dar uma cabeçada para continuar o caminho e relembrar os objectivos. Hoje é um desses dias...

Overwhelmed... adoro essa palavra. Tanto a podemos utilizar num sentido positivo, de alegria e felicidade, como para descrever esse peso esmagador destes dias de depressão e desânimo. Desculpem, mas não encontro expressões na nossa língua natal para a corresponder de forma natural e exacta. É como procurar uma tradução para saudade... há assim palavras em todas as línguas.
Acho que somos nós, mulheres, quem mais se identifica com este sentimento, em qualquer dos seus sentidos... a nossa natureza peculiar deixa-se assim invadir e manifestar de acordo com os ritmos das emoções e intuições, fruto do nosso lado muito lunar, enchendo-nos o peito desmesuradamente quer na alegria quer na tristeza.
Mas esse é um dos aspectos magníficos de ser mulher. Na ressaca ainda da celebração de mais um Dia Internacional da Mulher, sábado passado, sinto-me repleta - lá está: overwhelmed - por essa alegria de o ser, esse sentimento inexplicável, esse orgulho na própria condição, algo que é mais claramente perceptível e palpável nestas reuniões femininas, nomeadamente a propósito deste dia, e independentemente de outras considerações, algo que resuma da alegria, gargalhadas e festa que nos une nesses momentos, nos faz brilhar e crescer em força e amizade partilhada e fortalecida nesse colectivo. Como vivenciamos juntas, no jantar de sábado passado, e rimos e dançámos...
Não me interessa nada que digam que é um disparate celebrar tal dia da Mulher, e blá blá, para nós é um dia de celebração por nós e para nós, de festa e alegria, de pretexto para nos afirmarmos e orgulharmos, como seres multifacetados, mães, companheiras, amantes, filhas, amigas, dadoras de vida, portadoras de luz. Por isso, em homenagem a todas as nós, uma flor.

Jinhos

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Café ou chocolate

Café. Adoro café. Simples, normal,sem açúcar. Aliás, sou viciada em café, sim. Daquelas que ficam cheinhas de dores de cabeça sem a dose matinal... Para dizer a verdade, de manhã sou sempre muda e insuportável até me apanhar com a chávena fumegante na mão, mas, mesmo assim, é melhor esperarem mais um bocadinho até a dita estar vazia e o líquido escuro fazer o seu efeito despertador... e além do simples cafézinho, segue-se o prazer das misturas que o mesmo proporciona; um dos mais simples e ricos prazeres que tenho é o de beber um capuccino numa esplanada, de preferência com vista para o mar, ou a ria. Aquela mistura do café e das natas, a canela... e o Irish Coffee nas noites de Verão, com um travo meio enrolado e sensual...

Daqui passo fácil e naturalmente para outro prazer quente e rico: adivinharam, o c
hocolate quente, também cheio de promessas, misturas e tentações... num café acolhedor, com um jornal aberto na mesa, olhando para a janela que a chuva embacia e carregando forças para a enfrentarmos logo a seguir.

Partilhar estes momentos de café ou chocolate com os amigos ou amores, com o cão ou com o mar - sim, sempre o mar, para mim, é um eterno retorno, um encontrar-me a mim mesma - é o outro lado da experiência, o partilhar do prazer, afinal todo o prazer deve ser partilhado. Ou não?

Enquanto pensam, vejam aqui o que o café pode fazer, e não abusem... é que, com moderação, é bem saudável!

Jinhos