sábado, 10 de novembro de 2012
Compulsão
Leio compulsivamente. Desde sempre. Esse movimento, juntando letras, carateres, e deles fazendo sentidos, expressões, comunicando em silêncio ou declamando, é-me simplesmente tão essencial como respirar, pestanejar ou estremecer ao passar do vento pela minha pele.
Tenho verdadeira dificuldade em alimentar uma mente vazia, e busco avidamente essas figurinhas, esses simbolos que descobrem novos mundos, novas texturas, que partilham anonimamente vidas e desvios, e sou assaltada por pura ansiedade se constatar que,ao acabar a leitura atual ainda não encontrei sucessor para preencher esse vácuo irreal e indesejado...
De forma tão naturalmente compulsiva e reflexa, irracional mesmo, leio tudo o que se me atravessa ao caminho, mais fugaz ou rápida por vezes, mais tímida e recôndita doutras, seja a placa da mercearia, a placa de matrícula, o anúncio colorido, o placard enorme; seja a legenda descodificando o diálogo, as instruções de qualquer produto ou utensílio, seja mesmo a tabela de preços da cafetaria.
Queria respirar letras. Poderei?
segunda-feira, 5 de março de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011)
A ver com um sorriso plasmado e uma lágrima no canto do olho, um momento de pura simplicidade, beleza e magia que nos deixa a alma lavada e uma sensação de beleza pura.
Com efeito, «if life is enjoyed, does it have to make sense?»
Com efeito!
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Carnaval
As minhas princesas no Carnaval :) http://www.evernote.com/shard/s178/sh/7a258a66-9ca7-4a67-87e5-c628b90e143c/3c0c5d209e0cce4f5150f9cb23f53015
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Devolvida!
Fico incrédula, meio estática, a olhar para a tv de chávena de café na mão, a meio caminho, sem saber se acredite ou desacredite; sem poder crer que alguém venha alardar esta «devolução» como se tivesse sido enganado na execução de um contrato de compra e venda de um bem defeituoso! Defeituoso evidencia-se, isso sim, este pseudo adoptante, cheio de tiques e de indignação por ter sido induzido em erro quanto à alegada saúde mental da criança adoptada!!!
A adopção devia ser acto de amor incondicional, de responsabilidade imensa e preparada para aceitar uma criança como ser integral, inesperado, revelação, desafio, exigência, superação...
Nem me detenho a comentar todo o processo em si, de préadopção, de conhecimento, etc... para 5 dias após da adopção a criança ser devolvida! Isso nem a um animal se faz!
Hediondo!
Pergunto: quem selecciona estes pretendentes a pais de algibeira? Problemas psíquicos graves têm estes indivíduos e a estes pergunto eu: não se pode trocá-los?
Responsabilização exige-se! Amor precisa-se!
Estou literalmente em choque|
A adopção devia ser acto de amor incondicional, de responsabilidade imensa e preparada para aceitar uma criança como ser integral, inesperado, revelação, desafio, exigência, superação...
Nem me detenho a comentar todo o processo em si, de préadopção, de conhecimento, etc... para 5 dias após da adopção a criança ser devolvida! Isso nem a um animal se faz!
Hediondo!
Pergunto: quem selecciona estes pretendentes a pais de algibeira? Problemas psíquicos graves têm estes indivíduos e a estes pergunto eu: não se pode trocá-los?
Responsabilização exige-se! Amor precisa-se!
Estou literalmente em choque|
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Josefa, a bombeira
"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, uma jovem daquelas que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatária de juventude.
Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão.
Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."
Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das "Josefas que são o sal da nossa terra?"
Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias
Divulgue............
Vamos dar-lhe um minuto de atenção.
E honrar a sua memória !!!
"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, uma jovem daquelas que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatária de juventude.
Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão.
Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."
Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das "Josefas que são o sal da nossa terra?"
Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias
Divulgue............
Vamos dar-lhe um minuto de atenção.
E honrar a sua memória !!!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Dia Feliz
O vento já sopra e refresca um pouco. Saímos do parque e abro o carro.
- Vá lá filha, entra.
- Mãe - diz ela, enquanto se endireita na cadeirinha - como achas que foi este dia?
- Hmmm... não sei bem filha...
Acabo de lhe apertar o cinto de segurança.
- Diz-me tu o que achas, vai pensando enquanto eu entro no carro.
Fecho a porta do lado dela e dou a volta para entrar no lugar do condutor.
- Sabes, mãe, acho que hoje foi... um dia feliz! Sim, é isso.
- Exactamente o que eu penso filhota! Sim, um dia feliz.
Sorrio e arranco. Vamos lá dar uma volta e depois completar os rituais do fim do dia, iguais aos das outras mães e filhotas...
(Para ser um dia perfeito, só faltou um pratinho de caracóis... fica para a próxima ;))
- Vá lá filha, entra.
- Mãe - diz ela, enquanto se endireita na cadeirinha - como achas que foi este dia?
- Hmmm... não sei bem filha...
Acabo de lhe apertar o cinto de segurança.
- Diz-me tu o que achas, vai pensando enquanto eu entro no carro.
Fecho a porta do lado dela e dou a volta para entrar no lugar do condutor.
- Sabes, mãe, acho que hoje foi... um dia feliz! Sim, é isso.
- Exactamente o que eu penso filhota! Sim, um dia feliz.
Sorrio e arranco. Vamos lá dar uma volta e depois completar os rituais do fim do dia, iguais aos das outras mães e filhotas...
(Para ser um dia perfeito, só faltou um pratinho de caracóis... fica para a próxima ;))
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