quinta-feira, 18 de abril de 2013

Aceitação ainda!

Eu sou acelerada. Muito. Eu até como as palavras que as dita são lentas demais a formarem-se e a sairem-me da boca. Quando o fazem, já a minha mente supersónica está três pensamentos lá à frente e por vezes o que sai é uma bela sopa de ideias... :) Acho que cada um tem um determinado padrão energético ou bioritmo ou a patacoada que lhe queiram chamar e que determina a nossa personalidade. Há aqueles muito zen, há os calmos, os serenos, os enérgicos, os acelerados... uma miríade à escolha, estou certa :) Aqui também só a determinação pessoal nos pode levar a aceitar e compreender que cada um é diferente e que não existem modelos perfeitos nem paradigmas. Eu própria padeci desse mal durante muito tempo; qual? Ora essa, o de me considerar inferior,imperfeita e muitos degraus abaixo daqueles outros iluminados ou espíritos tão avançados que serenamente e com aquele ar de quem já tanto viveu e tanto aprendeu que concluiu que todos os demais são inferiores exemplares do materialismo perto dessas verdadeiras fontes de iluminação. Mas, sobretudo, o que eu mais invejava era a capacidade de acalmar as própria emoções e assim aparentar uma serenidade e uma certeza perante qualquer vicissitude só digna de um Dalai Lama ou um Cristo... (e não comecem já para aí a sonhar com o Diogo Morgado, ok?) Isto associava eu, naturalmente, e na minha ignóbil ignorância a quê? Perguntareis vós, meus poucos (mas bons!) leitores desta escrita errática e irregular (isto se não tiverem já desistido,pois o meu cérebro ou a minha mente ou um qualquer dos meus corpos espirituais está hoje completamente à solta a fazer o que lhe dá na real gana e eu já não posso garantir nem a coerência nem a continuidade deste discurso/monólogo)perguntareis pois a que associava eu essa fonte de serenidade? Pois vos direi: além da natural elevação espiritual de tais sortudos - aí se incluindo as muitas vidas anteriores de sacrifícios e aprendizagem - a uma grande disciplina espiritual e emocional, naturalmente conseguidas e suportadas em práticas constantes, reiteradas, devotadissimas (ah finalmente cheguei onde queria desde o início, ao busílis da questão, já vão entender!)de coisas como MEDITAÇÂO, IOGA e outras práticas ascéticas e espirituais, das muitas disponíveis, até comer flores como a Zélia :) Pumba!!! Ai o que eu invejava aquelas contorções, posições, transes e inspirações, visões e... entenderam??? Claro que como sou uma mulher sempre cheia de sede de saber, aprender e experimentar, tentei tudo. De tais experiências relatarei algumas peripécias noutro post, a ver se não vos afugento de vez! Para o que interessa e quero partilhar convosco por hoje, - se ainda me lembrar do que era... - basta reter isto: a sociedade também nos tenta impor o conceito de que as práticas de ioga e meditação são um paradigma dos mais evoluídos. Epa não discutam nem me contrariem tá bem?? Façam lá o favor agora de ler sem rabujar. Eu não nego o bem estar e os benefícios de tais práticas. Acho admiráveis. O que eu quero é que deixem de me considerar uma atrasadinha só porque não se adaptam a mim ou porque a respectiva prática não me faz sentir bem. Ah pois. Voltamos a um dos meus temas preferidos - a aceitação. Temos simplesmente de aceitar que somos diferentes e temos diferentes propósitos na vida; nesta, pelo menos. E, assim,como uns gostam de exercício, outros não, uns gostam de ioga, outros gostam de combat. Percebido? Deixei de me sentir pressionada e de ter de mostrar ou provar um qualquer percurso. Cada um tem o seu. E isto de se contorcer e aguentar poses anti naturais de forma estóica e desconfortável , respirando cadenciadamente não é para qualquer um! Por isso permito-me dizer alto e bom som: eu gosto é de dar murros, saltos, de correr e gritar, de preferência acompanhada por uns quantos doidos como eu. Tudo isto porque, finalmente, percebi e conclui que cada um, aceitando o seu tipo específico de energia, e essa sua frequência específica, deve aceitar-se como é e não mudar ou esforçar-se para parecer o que os outros à sua volta esperam ou desejam que seja. Deixei pois de ter complexos por ser acelerada, desastrada, por comer palavras, rir alto, sorrir a todos à minha volta, falar numa torrente para apanhar todas as ideias que me inspiram, de fazer tudo o que faço a 100% de energia... deixei de me sentir culpada por não ser capaz de frequentar essas sessões excruciantes de ioga, balance e quejandas, de tentar continuar a não adormecer nas sessões de meditação, deixei de ter problemas em dizer que gosto genuinamente de ser como sou, extrovertida, excessiva, falando alto, fazendo notar a minha presença do que ser infinitamente serena, calma, quase invisível, zen... zzzzzzzzzzzzzzzzzz E vocês também não iam gostar de mim como gostam se eu não fosse assim, pois não? :) Isto não quer dizer que eu seja menos espiritual que outros, ou sequer que haja lugar a comparações; quer apenas dizer que são diferentes as formas de sentir e experimentar, de colher a vida e de dar. Isso também quer dizer que, ao invés de me tentar adaptar aos métodos dos outros, tenho de procurar os meus métodos, aqueles que serão os certos para mim... de acordo com a minha velocidade de estar. E continuo a gostar de todos estes outros seres humanas fabulásticos que me acompanham e que olham para mim com um sorriso e uns olhos meigos, cheios de ternura com a cabeça meio pendida para um lado e me dizem: «calma» sempre sorrindo... Aceitem-me pois, simplesmente assim. Prometo que vos aceito também, integralmente!

Corpo (im)perfeito

Levei quase uma vida inteira - pelo menos a que vivi até agora - para finalmente começar a aceitar o meu corpo como ele é. Também, verdade seja dita, nunca tive muito por onde me queixar. Nem problemas de peso nem zonas desproporcionadas, enfim, no global o boneco apresentava-se agradável à vista. Mas, claro, inseguranças sempre as houve. E, naturalmene que, após quatro filhos e meio, e ultrapassada com alguma surpresa a casa dos 50, constatei a instalação involuntária de uns quilitos a mais; e de umas zonas menos rijas, mais amplas... o alarme tocou e a frequência do ginásio passou a ser (ainda) mais obrigatória, bem como a busca de cremes e tratamentos que consigam amenizar tais características indesejadas. Gosto sinceramente de actividade física e não preciso de me esforçar ou obrigar a praticá-la. Mas o meu corpo não se esculpiu milagrosamente no de uma atleta ou praticante profissional! :) Claro que se veem melhorias, diferenças, mas subtis e lentas... e a dada altura dei por mim a constatar que afinal não me interessa e nunca foi meu objectivo obter um corpo inalcançável, daqueles que até atleta precisa retocar com photoshop! É maravilhoso apreciar as diferenças fundamentais e infinitas dos corpos humanos, e sentir que cada um é perfeito para cada qual. Na verdade, compreendi que até a prática do exercício físico deve ser feita de acordo com esse pressuposto: a aceitação do meu corpo como ele é.Eu passei a aceitar o meu corpo, pois aquela barriguinha que ainda me atormenta é testemunho de quatro gravidezes maravilhosas, e de tudo o mais que como mulher me determinou e me fez quem sou hoje. Esses motivos de orgulho, o tempo que por mim passou estão escritos no meu rosto, nas minhas mãos (ai, só tirava esses eczemas malvados... :))nas veias nas minhas pernas, nas rugas no canto dos olhos, e eu não queria que não fosse assim! Parecer ter outra vez menos de 30 anos, ou usar uma face sem expressão, com lábios e bochechas desenhados a botox ou outro elemento não naturalmente produzido pelo meu corpo seria negar a mim mesma, afirmar uma total insegurança e aceitação da vida. Não quero com isso dizer que não nos tratemos, não nos cuidemos! Cuidar, tratar, exercitar, faz parte de ser saudável, pois só assim teremos qualidade e prazer de vida! O que eu não preciso mais é de me sentir mal na minha pele ou viver obcecada em tentar atingir modelos ou transformações excessivas que não são reais nem sequer desejáveis para o tipo de corpo ou de vida de cada um! Por isso já não me sinto incomodada de mostrar a barriga na praia ou culpada ao me comparar com aquelas proprietárias de corpos musculados e desprovidos de umas gordurinhas bem dispostas... é tudo uma questão de relatividade, bom senso e sobretudo...opções. Sem excessos. Sem protagonismos. Estou a começar a aceitar-me. Com defeitos. Imperfeições. E procurando todos os dias tornar-me uma pessoa melhor. Pelos outros e para tornar este mundo umpouco menos agreste para os que se cruzam no meu caminho. Isso sim, que é VIDA!