terça-feira, 20 de novembro de 2012

Felicidade e um capuccino na ria

Das coisas que mais gosto de fazer ao fim de semana é passear em Alvor.Seja para capuccino na ria, seja passear com as cadelas ou correr no imenso passadiço de madeira... ou apenas dar a volta pela vila, almoçar num dos restaurantes...
A cor e ar inspiram-me, revigoram-me. O ritual repetido este domingo em família fica partilhado nas fotos, entre a alegria da Viki e as corridas esbaforidas da Nina e companhia.
São momentos em que o mundo simplesmente está no seu lugar, completo, no presente, sem angústia, dúvida ou inquietação. Há certas coisas que sabem melhor em certos sítios... como a bola de berlim sem creme na praia, assim o capuccino na ria... Afinal, isso também é felicidade, não é? :)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Passatempo Concreto/Imperatriz Sissi

A Concreto e a Imperatriz Sissi juntaram-se para lançar um concurso pelo qual podemos ganhar uma camisola fantástica!!! É aqui que podem começar para participar!!! Boa sorte!!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Links sobre propriocepção

Como referi, aqui fica o link da wikipédia sobre o sistema proprioceptivo e este o de um artigo sobre tratamento da dislexia, um dos aspetos mais fortes que as disfunções deste sistema podem apresentar. Um dos autores é o Dr. Orlando Alves da Silva, o único ofalmologista que trata e conhece esta sintomática em Portugal, creio, e reconhecido internacionalmente. Tem ainda um blogue com explicações sobre este problema. Gostava muito de receber algum feedback sobre a questão, nomeadamente se alguém já conhecia esta problemática, ou se se reconhece nestas descrições pois uma maior informação e conhecimento poderia ajudar muitas pessoas que - como eu - podem andar a percorrer pequenos calvários nomeadamente no que toca a dificuldades de visão e de se adaptar a lentes corretivas normais, ou que se sentem dimunídas nas suas aptidões sociais em virtude de tais problemas. Outro aspecto curioso com que me tenho deparado, para além da minha dificuldade em fazer que os meus interlocutores ganhem alguma percepção deste problema, ou desta diferença, é, de um modo generalizado, uma quase total indiferença, para não dizer mesmo desprezo e incompreensão para a temática.A maioria das pessoas desconsidera a questão, nem mais se preocupa com isso, sequer para nos facilitar um pouco o dia a dia ou se lembrar do problema; afinal, é algo invisível e não somos portadores de deficiência física notória ou doença socialmente reconhecida como «grave». Umas tonturas, desequilíbrios e encontrões, uma dificuldades em soletrar ou ler, enfim, ver mais ou menos desfocado... isso lá é problema sério?? Fica muito mais fácil esquecer, não relevar, e rotular-nos como distraídos, desastrados, disléxicos e por aí fora! Como se a dislexia fosse uma coisa que se explica por si própria e pronto! Gostava muito de, num futuro breve, poder criar um grupo, por ex., sobre esta temática, para que pudéssemos trocar ideias, ajudas e dar a conhecer melhor os nossos problemas. Mas sem respostas e contatos, continuarei a pregar sozinha e a sentir-me sozinha. Como até aqui.

domingo, 11 de novembro de 2012

A propriocepção e a desastritude

Não, não sou desastrada. Nem distraída. Simplesmente, não funciono - ou melhor, o meu cérebro - da mesma forma que a maioria das pessoas. Quando me viro numa loja ou outro ambiente normalmente mobilado ou decorado, certamente que ou tropeço num dos expositores, ou o deito abaixo caso o mesmo não se encontre bem fixo! Se estou a subir ou descer uma escada não posso tirar os olhinhos dos degraus, senão catrapum galgo-os a todos de uma vez só... carregar volumes que impeçam ou diminuam a visibilidade então... Nem imaginam como é difícil controlar o espaço circundante em relação às pessoas que me rodeiam, sobretudo se carregar sacos, malas ou outros tipos de volumes... nem consigo avançar nem circular sem que me assegurem antecipadamente uma boa dose de área circundante; caso contrário, certinho e sabido, lá vou eu de encontro ao mais próximo, seja pessoa, objecto ou volume, e isso se antes mesmo me não desequilibrar nos próprios pés! Por falar nisso, e uma vez que o meu cérebro não faz a mínima ideia de qual a distância correta até ao chão, nem se apercebe completamente da textura do mesmo - nem sei muito bem o que é isso de superfícies lisas, pois são todas um pouco convexas para mim, ou côncavas... - tropeçar nos próprios pés, para mim, não é uma expressão literal, é mesmo real. Irra, e cada tropeção por vezes! Não sou desastrada, insisto, nem desequilibrada. Ah sim, pareço-vos estranha, e rotulam-me como tal, eu compreendo! Mas acreditam o quanto estou cansada??? É que não acreditam como é cansativo viver diariamente assim, nesta confusão espacial, nesta dificuldade postural perante o mundo normal, cheio de obstáculos e desafios, e ainda ter que encarar os vossos olhares de comiseração -«lá está a patetinha a fazer figuras tristes outra vez!» - de incompreensão - «mas esta gaja é chanfrada ou quê???» - de saturação - «arre mas outra vez????» - e por aí fora... Dos que nos estão mais próximo, vivendo connosco no dia a dia e que continuam a não fazer ideia e a não ter capacidade para prevenir em vez de provocar... Precisei de muita coragem para hoje vir aqui partilhar este texto, este desabafo, na esperança de que alguns possam começar a aperceber-se desta realidade diferente, por um lado; e na de que outros como eu (tenho a certeza de que os há, muitos sem saberem o que têm, desconhecendo a sua própria situação) possam reconhecer-se e saber que não estão sós. Pessoas como eu - como nós - têm uma síndrome do sistema proprioceptivo. Poderão procurar alguma informação sobre isso na wikipédia nesse link, sendo fundamental esse artigo para ajudar a perceber de forma simples o problema. A dislexia e as deficiências posturais são formas de expressão mais conhecidas dessa sindrome. Mas as dificuldades que ela coloca no dia a dia e que se revelam naquelas coisinhas diárias como subir escadas, desequilibrar-se (basta virar a cabeça e zás!... depois tem que esperar pelo alinhamento, sem cair entretanto!)tropeçar ou bater em objetos...tornam-se por vezes inultrapassáveis em termos de aptidões sociais que resultam afetadas ou diminuídas. Repito: não sou desastrada, nem distraída; eu simplesmente não sei calcular a minha localização espacial, nem bem qual o volume ocupado pelo meu corpo. Da mesma forma, só consigo concentrar-me em uma coisa de cada vez. Literalmente. O multitasking não é para mim, nem sequer uma conversa inocente enquanto estou concentrada em qualquer atividade básica. De imediato, tudo cai das mãos, tudo sai do sítio, e também apanho cada susto sempre que me interpelam de repente ou surjam do nada. O que eu mais queria era que entendessem, respeitassem a diferença e, de uma vez por todas, parassem de olhar para mim como a desastrada, a tontinha, a exuberante... pode ser?

sábado, 10 de novembro de 2012

Compulsão

Leio compulsivamente. Desde sempre. Esse movimento, juntando letras, carateres, e deles fazendo sentidos, expressões, comunicando em silêncio ou declamando, é-me simplesmente tão essencial como respirar, pestanejar ou estremecer ao passar do vento pela minha pele. Tenho verdadeira dificuldade em alimentar uma mente vazia, e busco avidamente essas figurinhas, esses simbolos que descobrem novos mundos, novas texturas, que partilham anonimamente vidas e desvios, e sou assaltada por pura ansiedade se constatar que,ao acabar a leitura atual ainda não encontrei sucessor para preencher esse vácuo irreal e indesejado... De forma tão naturalmente compulsiva e reflexa, irracional mesmo, leio tudo o que se me atravessa ao caminho, mais fugaz ou rápida por vezes, mais tímida e recôndita doutras, seja a placa da mercearia, a placa de matrícula, o anúncio colorido, o placard enorme; seja a legenda descodificando o diálogo, as instruções de qualquer produto ou utensílio, seja mesmo a tabela de preços da cafetaria. Queria respirar letras. Poderei?