sexta-feira, 21 de maio de 2010

Urgências Pediátricas

De vez em quando, lá vou com a Viki às urgência pediátricas do Barlavento. Uma queda, uma urgência a meio da noite...
Mães de crianças de 5 anos, quem não sabe o que isso é? :) Infelizmente...
Naturalmente, este serviço tem paredes pintadas, livros, cadeiras e móveis de plástico para os pequenitos, enfermeiras simpáticas e carinhosas... excepto médicos. Pois, que os médicos que estão a fazer estas urgências são médicos de clínica geral. De nacionalidades estrangeiras. Que, para além das batas lisas, ainda usam máscaras (mas não de palhaço ou outras, antes aquelas de médico mesmo...) e não conseguem comunicar com as crianças, quer pelo aspecto intimidatório, quer pelo tom de voz empregue, quer ainda pelo fosso linguístico. A falta de preparação pediátrica é ainda visível na prescrição de tratamentos que nem sempre são adaptados a crianças.
Numa destas ocorrências o médico (espanhol dessa vez) que nos atendeu acabou por passar o caso ao pediatra. Só falámos com este, no entanto, já antes de irmos embora com a alta; pelo menos já tinha uma bata colorida, e sorria um pouco do alto da sua estatura elevada :) também é um profissional de nacionalidade espanhola.
Preocupa-me que, num serviço de natureza tão particular e específica como o é a urgência pediátrica esta situação seja pacífica e consensual.
Precocupa-me que a minha filhota seja confrontada, num momento de dor e aflição, com médicos abrutalhados, sem sensibilidade para ela, sem sorrisos, sem carinho, e cuja língua ela não consegue entender.
Que, como já sucedeu com a Viki, prescrevam tipo de tratamentos adequados a mulheres e não a meninas de 5 anos... ou medicamentos que já não existam nas farmácias, obrigando-me às 2 da manhã a andar desvairada na farmácia e obrigar o farmacêutico a telefonar para o hospital para contactar com o dito médico e saber como substituir a prescrição...
Posso preocupar-me, não posso?
Não compreendo, pronto!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Há séculos que não blogava. A culpa é do facebook e do twitter, que me enredaram durante uns quantos meses, com estas mensagens e textos curtos, esta teia de amizades e prendas online, de frases, citações, recados, abreviaturas e fotos, remendos de comunicação, uma comunicação que ser rápida e sintética.

Mas libertei-me! Sobretudo, deixei de criar quintas e zoos virtuais, de travar batalhas com a mafia ou com vampiros, deixei de aceitar lembranças e prendas, animais e armas.
Mais fácil que deixar de fumar, não doeu nada e até respiro melhor. Para jogar, vamos jogar a sério, e mantenho-me fiel ao Aion para aí me converter num ser alado e poderoso, guerreira por vezes, sacerdotisa outras tantas.

No mais, continuo fiel ao meu capuccino à beira-mar, e ao imenso orgulho, desmesurado, que me faz sentir o peito a estourar de amor e de gratidão pelos filhos fabulosos que me acompanham neste percurso tortuoso e nada linear da vida real.
Mas tão imenso, despudorado e avassalador que me compeliu, assim, sem mais, a revisitar e - quem sabe? - reviver este cantinho esquecido.

Sempre que os junto, mesmo que não todos, mas pelo menos dois ou três, sinto este peito cheio, esta coisa que é mais do que eu, sem palavras bastantes para transmitir este calor, esta imensidão. Por mim, não precisava de mais nada.
Se calhar é assim com todas as mães, mas por mim não me canso de o sentir e partilhar.

O mais difícil é estar longe deles, no dia a dia, sentir-lhes a falta nesse mesmo peito que fica vazio e fraco, incompleto...

Até à próxima visita, o próximo fim de semana, as próximas férias.