quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Josefa, a bombeira
"Josefa, 21 anos, a viver com a mãe. Estudante de Engenharia Biomédica, trabalhadora de supermercado em part-time e bombeira voluntária. Acumulava trabalhos e não cargos - e essa pode ser uma primeira explicação para a não conhecermos. Afinal, uma jovem daquelas que frequentamos nas revistas de consultório, arranja forma de chamar os holofotes. Se é futebolista, pinta o cabelo de cores impossíveis; se é cantora, mostra o futebolista com quem namora; e se quer ser mesmo importante, é mandatária de juventude.
Não entra é na cabeça de uma jovem dispersar-se em ninharias acumuladas: um curso no Porto, caixeirinha em Santa Maria da Feira e bombeira de Verão.
Daí não a conhecermos, à Josefa. Chegava-lhe, talvez, que um colega mais experiente dissesse dela: "Ela era das poucas pessoas com que um gajo sabia que podia contar nas piores alturas."
Enfim, 15 minutos de fama só se ocorresse um azar... Aconteceu: anteontem, Josefa morreu em Monte Mêda, Gondomar, cercada das chamas dos outros que foi apagar de graça. A morte de uma jovem é sempre uma coisa tão enorme para os seus que, evidentemente, nem trato aqui. Interessa-me, na Josefa, relevar o que ela nos disse: que há miúdos de 21 anos que são estudantes e trabalhadores e bombeiros, sem nós sabermos.
Como é possível, nos dias comuns e não de tragédia, não ouvirmos falar das "Josefas que são o sal da nossa terra?"

Por FERREIRA FERNANDES, Diário de Notícias


Divulgue............
Vamos dar-lhe um minuto de atenção.
E honrar a sua memória !!!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dia Feliz

O vento já sopra e refresca um pouco. Saímos do parque e abro o carro.
- Vá lá filha, entra.
- Mãe - diz ela, enquanto se endireita na cadeirinha - como achas que foi este dia?
- Hmmm... não sei bem filha...
Acabo de lhe apertar o cinto de segurança.
- Diz-me tu o que achas, vai pensando enquanto eu entro no carro.
Fecho a porta do lado dela e dou a volta para entrar no lugar do condutor.
- Sabes, mãe, acho que hoje foi... um dia feliz! Sim, é isso.
- Exactamente o que eu penso filhota! Sim, um dia feliz.
Sorrio e arranco. Vamos lá dar uma volta e depois completar os rituais do fim do dia, iguais aos das outras mães e filhotas...
(Para ser um dia perfeito, só faltou um pratinho de caracóis... fica para a próxima ;))

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Urgências Pediátricas

De vez em quando, lá vou com a Viki às urgência pediátricas do Barlavento. Uma queda, uma urgência a meio da noite...
Mães de crianças de 5 anos, quem não sabe o que isso é? :) Infelizmente...
Naturalmente, este serviço tem paredes pintadas, livros, cadeiras e móveis de plástico para os pequenitos, enfermeiras simpáticas e carinhosas... excepto médicos. Pois, que os médicos que estão a fazer estas urgências são médicos de clínica geral. De nacionalidades estrangeiras. Que, para além das batas lisas, ainda usam máscaras (mas não de palhaço ou outras, antes aquelas de médico mesmo...) e não conseguem comunicar com as crianças, quer pelo aspecto intimidatório, quer pelo tom de voz empregue, quer ainda pelo fosso linguístico. A falta de preparação pediátrica é ainda visível na prescrição de tratamentos que nem sempre são adaptados a crianças.
Numa destas ocorrências o médico (espanhol dessa vez) que nos atendeu acabou por passar o caso ao pediatra. Só falámos com este, no entanto, já antes de irmos embora com a alta; pelo menos já tinha uma bata colorida, e sorria um pouco do alto da sua estatura elevada :) também é um profissional de nacionalidade espanhola.
Preocupa-me que, num serviço de natureza tão particular e específica como o é a urgência pediátrica esta situação seja pacífica e consensual.
Precocupa-me que a minha filhota seja confrontada, num momento de dor e aflição, com médicos abrutalhados, sem sensibilidade para ela, sem sorrisos, sem carinho, e cuja língua ela não consegue entender.
Que, como já sucedeu com a Viki, prescrevam tipo de tratamentos adequados a mulheres e não a meninas de 5 anos... ou medicamentos que já não existam nas farmácias, obrigando-me às 2 da manhã a andar desvairada na farmácia e obrigar o farmacêutico a telefonar para o hospital para contactar com o dito médico e saber como substituir a prescrição...
Posso preocupar-me, não posso?
Não compreendo, pronto!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Há séculos que não blogava. A culpa é do facebook e do twitter, que me enredaram durante uns quantos meses, com estas mensagens e textos curtos, esta teia de amizades e prendas online, de frases, citações, recados, abreviaturas e fotos, remendos de comunicação, uma comunicação que ser rápida e sintética.

Mas libertei-me! Sobretudo, deixei de criar quintas e zoos virtuais, de travar batalhas com a mafia ou com vampiros, deixei de aceitar lembranças e prendas, animais e armas.
Mais fácil que deixar de fumar, não doeu nada e até respiro melhor. Para jogar, vamos jogar a sério, e mantenho-me fiel ao Aion para aí me converter num ser alado e poderoso, guerreira por vezes, sacerdotisa outras tantas.

No mais, continuo fiel ao meu capuccino à beira-mar, e ao imenso orgulho, desmesurado, que me faz sentir o peito a estourar de amor e de gratidão pelos filhos fabulosos que me acompanham neste percurso tortuoso e nada linear da vida real.
Mas tão imenso, despudorado e avassalador que me compeliu, assim, sem mais, a revisitar e - quem sabe? - reviver este cantinho esquecido.

Sempre que os junto, mesmo que não todos, mas pelo menos dois ou três, sinto este peito cheio, esta coisa que é mais do que eu, sem palavras bastantes para transmitir este calor, esta imensidão. Por mim, não precisava de mais nada.
Se calhar é assim com todas as mães, mas por mim não me canso de o sentir e partilhar.

O mais difícil é estar longe deles, no dia a dia, sentir-lhes a falta nesse mesmo peito que fica vazio e fraco, incompleto...

Até à próxima visita, o próximo fim de semana, as próximas férias.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Novo Ano

E chove. Consecutivamente. São dias e dias, com uma aberta aqui e ali... Nada melhor para ajudar à neura do Novo Ano.

Um Ano que começa e apresenta 365 páginas em branco perante nós. Estímulo para uns, terror da página em branco para outros, lol.

Desânimo para quem já não espera nada de novo e está cansado de renovar diariamente batalhas inglórias e sem fim...

Hoje é Dia de Reis. Para mim, dia de retirar todas as decorações e enfeites de Natal, árvore incluída.

Termino das festividades. Janeiras. Recomeçar.

A ambiguidade do Natal ficou para trás uma vez mais. Aquela alegria misturada com tristeza, aqueles reencontros com família ou nem por isso, as ausências ao lado dos risos dos presentes, o passado a reclamar e o presente a envolver-nos...


Estes rituais anuais de família e transição são importantes, quer pela celebração em si, quer pelas oportunidades de reencontro, de afectos e de reflexão que proporcionam, a todos os que estejam dispostos a abrir as comportas do seu coração.
Para perdoar, renovar a esperança, ou mesmo simplesmente para esquecer; para fazer planos, para renovar projectos, para enterrar fracassos ou más opções.
Para marcar o nosso crescimento, a nossa evolução.

Não façamos desses momentos o objectivo, antes utilizemo-nos deles para nos renovarmos e recuperar as forças e o alento.
Afinal, o mais importante mesmo é sermos fiéis a nós próprios. Se possível, acompanhados dos que amamos.

Neste Ano Velho, o Miguel foi o Pai Natal, para desvario das cadelas e alegria da Viki que nunca desconfiou! O Jantar de Fim de Ano foi preparado pelo Ricardo e pela Sandra, a minha norinha.

E agora, recomeçaram as aulas e o trabalho, já estamos de novo cada um para seu lado, mas sempre juntos. No coração.

Um Bom Ano