quinta-feira, 16 de abril de 2009

Momentos



Regresso a casa...



Canteiros no jardim







O repouso da guerreira




O primeiro gelado da época






E o ESPANTÁSTICO CARROSSEL, a não perder até ao princípio de Maio para viagens em criaturas fantásticas!


Carta ao Instituto de Gestão Financeira da Justiça

                                   Instituto de Gestão Financeira e

                                   Patrimonial da Justiça

                                Av. D. João II, nº 1.08.01.E Bloco H                                                                      1990-097  LISBOA

 

Lagoa, 16 Abril de 2009

Exmos Senhores,

 
Junto cópia da m/ anterior correspondência, enviada, por lapso, para a anterior morada de Vªs Exªs, como podem comprovar pela mesma, e que não sei se chegou à V/ posse. Aquela carta incluía, aliás, dois recibos relativos a pagamentos efectuados em 2008.

Na mesma, solicitava informação, pedido esse que ora reitero, relativamente à liquidação dos honorários, no total de € 111,25, referentes ao proc. nº 31/05.4 GAACN, c/ V/ ref. 362602, certificado em 2/11/2006, ainda sem data prevista para pagamento, apesar do largo período de tempo transcorrido e do pagamento de serviços posteriores a esse.

Aproveito ainda para manifestar a minha surpresa face ao proc. nº 960/08.3GDPTM, c/ a V/ ref. de nota nº 4412011, relativo a uma intervenção em 17 Dezembro de 2008, como intérprete no mesmo, certificado em 8 de Janeiro de 2009, no total de € 80,00 e que aparece com a data prevista para pagamento de 04/09/2009! Ou seja, está tal pagamento previsto para Setembro próximo? Ou trata-se de um lapso, já que nunca constatei tão amplo prazo para um pagamento previsto por Vªs Exªs? E, a ser assim, qual a razão para tal distanciamento no tempo relativamente a esse pagamento?

Permitam-me manifestar a minha tristeza com este estado de coisas, pois, quer como defensora oficiosa, quer como intérprete, sempre me tenho mostrado disponível e eivada do mais amplo espírito de colaboração com os tribunais e participantes do sistema judicial, todavia não posso aceitar nem compreender que, não bastando o tempo de espera necessário a maior parte das vezes para que nos sejam estipulados e arbitrados os honorários, já que muitos dos processos se arrastam por mais de um ano até que seja elaborada a respectiva nota de honorários, não bastando tal, ainda nos seja imposta tão grande incerteza e injustiça em tais pagamentos, sem a obrigação de cumprimento de quaisquer prazos, antes se verificando assim a estipulação arbitrária e sem qualquer justificação de prováveis datas de pagamento, sem razoabilidade ou qualquer indicação razoável para aqueles que prestaram os serviços atempadamente, com brio e denodo? 

Todos nós, profissionais, temos encargos a cumprir e famílias a sustentar. Se qualquer trabalhador tem direito – um direito constitucional – à sua retribuição atempada e certa, porque não temos nós, profissionais independentes, onerados pela obrigação de trabalho pro bono, um direito ao pagamento atempado ou pelo menos, num prazo justo e célere, ao pagamento dos serviços prestados? Prestados no âmbito do funcionamento do sistema judicial, e para o bom funcionamento do mesmo. Qualquer Estado de Direito deveria ter orgulho nestes profissionais e com eles cumprir atempadamente, garantindo-lhes um mínimo de respeito e reconhecimento pelos serviços prestados, assim incentivando estes profissionais ao contínuo cumprimento da sua vocação e dando cumprimento a uma das obrigações fundamentais do Estado de Direito.

Em vez disso, temos um Estado mau pagador, ingrato, mal agradecido, injusto e autoritário, que não ouve, não responde, não se preocupa com nem respeita os seus cidadãos nem os operadores judiciários que promovem o seu bom funcionamento.

Queiram ainda Vªs Exªs notar que aguardo uma resposta por escrito e concreta às duas questões aqui colocadas, já que as restantes, sendo considerações de ordem geral e genérica, se referem ao funcionamento do sistema em si e, naturalmente, Vªs Exªs sempre se sentirão demitidos de qualquer responsabilidade na resolução de tais problemas…

Sem outro assunto de momento, com os melhores cumprimentos

 

                                                Atentamente

 

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Epifania

Sabem o que é uma epifania? Tive uma, há dias: em pleno chuveiro, a água quente correndo-me pelo corpo, abraçando-me enquanto o espírito galvanizado pela reconfortante sensação é transportado até outras dimensões de lucidez. Uma lucidez inesperada, franqueadora e perfeitamente avassaladora. Nesse momento, suscitado pelos risos e vozes vindos das restantes divisões da casa, prenhe da alegria e movimento dos seus ocupantes reunidos nesse abençoado período de férias, fui totalmente preenchida por uma resplandecente sensação de alegria, felicidade e amor, um reconhecimento fundamental da sorte que me envolve, do enorme amor e carinho que me preenchem e de que sou alvo, por parte destes meus quatro filhos magníficos e que me enchem sempre de tanto orgulho,  e deste meu marido maravilhoso, amante e dedicado.
Não somos católicos, muito menos praticantes de qualquer fé ou religião instituída ou oficializada. Para nós, este fabulosos dias de férias valem por isso mesmo, pela reunião de todos sob o mesmo tecto durante este período, celebrando assim o verdadeiro Amor, a Família naquilo que tem de mais estrutural e fundamental, e apercebi-me assim, naquele momento que ainda hoje me galvaniza, e cuja recordação me acompanhará sempre, de ora em diante, da imensa riqueza que possuo, da grande felicidade e maravilha que a vida me tem proprocionado, ao me sentir tão surpreendida diariamente pelo carinho e atenção de todos eles, filhos e marido, e ao perceber que aqui cheguei pelas opções que fui fazendo ao longo da vida.
Opções que não foram as que se esperaria, não foram as mais fáceis, não cederam a compromissos.
É verdade que estou, uma vez mais, num recomeço profissional, em busca de uma via profissional e financeira, quando muitos outros estão consolidados. É verdade que não tenho casas nem bens materiais. É verdade que, aos 48 anos, ainda não encontrei uma situação profissional que me preencha, nem sequer que me proporcione rendimentos.
Mas possuo riquezas incomensuráveis que me levam muito mais longe, possuo aqueles que me amam e me rodeiam, me acompanham e me mostram que lhes fiz e faço a diferença.
E isso, sim, é o grande objectivo da minha vida.



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