Ontem foi terça-feira. Pois claro. Para mim, a noite em que me torno uma zombie teledependente. Ah pois é! Ora vejam só: para além da saga diária das Feiticeiras - Charmed - no AXN a partir das 20h 30m, seguem-se logo os 4400 na Fox, mal dá tempo para o zapping, e assim que esta termina, permanecendo na mesma estação, chega a 2ª temporada de Heroes, e desta eu nem preciso falar... como não basta, mal o episódio conclui, carrego célere no botão do comando para rumar até à 2 e ainda ver o resto da Anatomia de Grey... Ufa! Se não adormecer antes, é uma saga inigualável em qualquer outro dia da semana, se bem que as segundas já tragam Jericho no AXN e as quartas a Bionic Woman e Moonlight seguidinhos na Fox, mas sempre sem concorrência séria para as terças...
E reparem que me restringi a estes 2 canais e meio... Nem quero pensar na dependência e tortura que deve ser para muitos organizar as tantas séries excelentes que passam em tantos canais e estações, mais a net e os downloads, ou programar e gravar para ver mais tarde...
Até os mais distraídos já perceberam que tenho uma enorme e indisfarçável fraqueza por tudo o que é sobrenatural, poderes, fantástico... no que toca ao mundo real, e a fazer concorrência à Grey, só mesmo E.R., às sextas, sempre depois das bruxinhas, eheheh...
Agora que revelei esta minha propensão para o fantástico e para o oculto, passo a uma confissão, quiçá politicamente incorrecta, mas genuína: não gosto da dita música africana. Que raio é essa coisa e essas versões todas do Kuduro, da Kizomba e sei lá o quê mais... nem me venham com mornas e Cesárias... epa, não gosto, ponto final. Da mesma forma que não gosto de jazz, para mim é um arrazoado de sons irritantes e perturbadores com a única finalidade de destruir a harmonia.
Também não me identifico com África, quer enquanto continente, quer culturalmente, nem tenho qualquer gosto ou propensão pelo que daí venha.
Sou europeia, sim, embora fascinada pelo oriente. Mas isso é outro tema, por agora regressamos ao continente negro. Talvez o meu não apreço pela dita música seja consequência da falta de atracção pelo continente, pela sua cultura e especificidades. Mas, que querem, aqueles ritmos de batuque soam-me primitivos e rudes, medievos e ... esqueçam, não vamos por aí.
Mas isto tudo porquê? Porque esta manhã, ao ouvir o Markl, a Semedo e companhia, estes anunciaram uma coisa alucinadamente fantástica que é o I Congresso de Música Africana - pelo menos, julgo que seja esse o nome - a decorrer em breve no S. Jorge, em Lisboa, e que inclui o 1º Campeonato Nacional de Kizomba, workshops, sei lá... Confesso que me ultrapassa, fiquem lá com essa, ver europeus a lambuzarem-se e a rebolarem com estes sons, mas pronto, há gostos para tudo, sem ofensa!
Tudo isto me faz lembrar um programa que passava na nossa TV pública - não sei se ainda passa - aos domingos matinais, aí pelas 6 ou 7 da madrugada e que incluia um top musical dos pimbas afrolusos, uma coisinha impensável! Alguém se lembra ou viu? Ainda me lembro da primeira vez que descobri essa pérola da programação africana, da minha incredulidade perante o conteúdo em causa, num domingo em que pensei que o meu cérebro me pregava uma partida de embrutecido que estava pelo despertar contrariado. Todos os pais e mães sabem bem o que é isso, ser acordado pela energia imparável dos nossos rebentinhos aos domingos de manhã - os diabinhos não respeitam nada! -, tentando não adormecer enquanto a prole nos deita a estante abaixo, e damos por nós a fazer zapping a essas horas impróprias, ainda por cima quando apenas se dispõe de 4 canais... e se descobrem inexoravelmente estas pérolas e tesourinhos...
E agora digam-me lá, é ou não uma fixação lusitana esta com as coisas africanas, com as danças e costumes, enfim, será um trauma colonial, uma saudade mal alinhavada do domínio de um continente muito mais vasto que a nossa pequenez? E as ditas lembranças e memórias e raízes inventadas por quase todos os que se arrogam de uma herança ou ascendência africana mesmo que de lá nada mais possuam que imagens retiradas de antigas fotos a preto e branco e a memória de uma época que nem era deles, mas dos seus progenitores, na melhor das hipóteses... é, no mínimo, um falso saudosismo, porque não se dirige realmente à terra e ao povo, mas antes a uma certa época e maneira de viver, localizada no tempo e no espaço, e fundamentada num domínio branco concreto, que nada tem que ver com a realidade e os tempos actuais. Mas desses, é melhor fugir mesmo, a não ser dos destinos turísticos seguros, pois claro. Estes saudosistas não querem voltar para lá, desejavam sim regressr ao tempo em que eram os brancos que mandavam nos pretos... Não estão cansados de os ouvir? Eu estou.
quarta-feira, 12 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
OVERWHELMED
Que sensação é essa que nos assola assim de repente e nos deixa rentinhas ao chão, devassadas e sem força, com a exclusiva vontade de voltar para casa, mergulhar a cabeça no travesseir
o, longe de tudo e todos, afogar-se na sua própria auto comiseração... isto servido, naturalmente, com um simples pretexto de descanso e desabafo, remédio mágico para a nossa própria recuperação, claro está.
Temos dias assim, até os mais fortes precisam de, esporadicamente, bater no fundo e dar uma cabeçada para continuar o caminho e relembrar os objectivos. Hoje é um desses dias...
Overwhelmed... adoro essa palavra. Tanto a podemos utilizar num sentido positivo, de alegria e felicidade, como para descrever esse peso esmagador destes dias de depressão e desânimo. Desculpem, mas não encontro expressões na nossa língua natal para a corresponder de forma natural e exacta. É como procurar uma tradução para saudade... há assim palavras em todas as línguas.
Ac
ho que somos nós, mulheres, quem mais se identifica com este sentimento, em qualquer dos seus sentidos... a nossa natureza peculiar deixa-se assim invadir e manifestar de acordo com os ritmos das emoções e intuições, fruto do nosso lado muito lunar, enchendo-nos o peito desmesuradamente quer na alegria quer na tristeza.
Mas esse é um dos aspectos magníficos de ser mulher. Na ressaca ainda da celebração de mais um Dia Internacional da Mulher, sábado passado, sinto-me repleta - lá está: overwhelmed - por essa alegria de o ser, esse sentimento inexplicável, esse orgulho na própria condição, algo que é mais claramente perceptível e palpável nestas reuniões femininas, nomeadamente a propósito deste dia, e independentemente de outras considerações, algo que resuma da alegria, gargalhadas e festa que nos une nesses momentos, nos faz brilhar e crescer em força e amizade partilhada e fortalecida nesse colectivo. Como vivenciamos juntas, no jantar de sábado passado, e rimos e dançámos...
Não me interessa nada que digam que é um disparate celebrar tal dia da Mulher, e blá blá, para nós é um dia de celebração por nós e para nós, de festa e alegria, de pretexto para nos afirmarmos e orgulharmos, como seres multifacetados, mães, companheiras, amantes, filhas, amigas, dadoras de vida, portadoras de luz. Por isso, em homenagem a todas as nós, uma flor.
Jinhos
o, longe de tudo e todos, afogar-se na sua própria auto comiseração... isto servido, naturalmente, com um simples pretexto de descanso e desabafo, remédio mágico para a nossa própria recuperação, claro está.Temos dias assim, até os mais fortes precisam de, esporadicamente, bater no fundo e dar uma cabeçada para continuar o caminho e relembrar os objectivos. Hoje é um desses dias...
Overwhelmed... adoro essa palavra. Tanto a podemos utilizar num sentido positivo, de alegria e felicidade, como para descrever esse peso esmagador destes dias de depressão e desânimo. Desculpem, mas não encontro expressões na nossa língua natal para a corresponder de forma natural e exacta. É como procurar uma tradução para saudade... há assim palavras em todas as línguas.
Ac
ho que somos nós, mulheres, quem mais se identifica com este sentimento, em qualquer dos seus sentidos... a nossa natureza peculiar deixa-se assim invadir e manifestar de acordo com os ritmos das emoções e intuições, fruto do nosso lado muito lunar, enchendo-nos o peito desmesuradamente quer na alegria quer na tristeza.Mas esse é um dos aspectos magníficos de ser mulher. Na ressaca ainda da celebração de mais um Dia Internacional da Mulher, sábado passado, sinto-me repleta - lá está: overwhelmed - por essa alegria de o ser, esse sentimento inexplicável, esse orgulho na própria condição, algo que é mais claramente perceptível e palpável nestas reuniões femininas, nomeadamente a propósito deste dia, e independentemente de outras considerações, algo que resuma da alegria, gargalhadas e festa que nos une nesses momentos, nos faz brilhar e crescer em força e amizade partilhada e fortalecida nesse colectivo. Como vivenciamos juntas, no jantar de sábado passado, e rimos e dançámos...
Não me interessa nada que digam que é um disparate celebrar tal dia da Mulher, e blá blá, para nós é um dia de celebração por nós e para nós, de festa e alegria, de pretexto para nos afirmarmos e orgulharmos, como seres multifacetados, mães, companheiras, amantes, filhas, amigas, dadoras de vida, portadoras de luz. Por isso, em homenagem a todas as nós, uma flor.
Jinhos
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